A falta de resultados no começo da “era Tite” tem irritado boa parte do Cruzeiro. Na derrota para o Coritiba, nessa quinta-feira (5), pelo Campeonato Brasileiro, o técnico foi vaiado e xingado no Mineirão, em Belo Horizonte, além de ter ouvido gritos de “adeus” antes mesmo do apito final.
Após o confronto, na zona mista, apesar da forte pressão da torcida contra o treinador, os jogadores do Cruzeiro pregaram confiança no trabalho de Tite.
Capitão do time no duelo com o Coritiba, Romero destacou que o elenco está fechado com o comandante. Na sequência, o volante argentino ainda afirmou que “bater só no Tite é fácil” e ponderou a parcela de culpa dos atletas.
“A gente está todo mundo junto. Só bater no Tite é fácil. Não acho que seja o culpado. Nós, jogadores, temos que ser autocríticos e entender que temos muitas coisas a melhorar neste início de temporada. Sei da expectativa que se criou. É um clube que nos brinda uma estrutura top, com tudo em dia. Temos que dar uma resposta dentro do campo”, iniciou.
Da mesma forma, Kaio Jorge pediu paciência à torcida do Cruzeiro e enfatizou que Tite tem um estilo de jogo bem diferente do português Leonardo Jardim. Essa, inclusive, não era uma ideia do comandante celeste, que disse publicamente que tentaria manter as características da equipe de 2025.
“Assim como o torcedor está revoltado, eu também estou. Quero estar em uma equipe vencedora, mas, com calma, sei que estamos voltando a pegar aquele ritmo de jogo. Poucos jogos ainda. O torcedor tem o direito de estar bravo, irritado, mas quero pedir um pouco de paciência, porque sei que, em breve, vamos dar a volta por cima”, disse.
“São estilos de jogos diferentes. Com o Jardim, a gente jogava mais em transição. Agora, a gente procura ficar um pouco mais com a bola. Os adversários acabam estudando a nossa equipe e dificultam o jogo. Quando acabou a partida, nos cobramos bastante. Aqui só tem jogador de alto nível, ninguém quer estar perdendo”, completou Kaio Jorge.
Outros atletas
Multicampeão ao lado de Tite nos tempos de Corinthians, Cássio demonstrou apoio ao técnico e afirmou que a culpa é, em grande parte, dos jogadores. O goleiro acredita que as falhas defensivas têm acontecido por desatenção, o que não é de responsabilidade do treinador.
“A gente tem errado muito e dado muitas oportunidades para os adversários. Honestamente, os gols tomados são de desatenção, de ter matado a jogada, feito algo melhor. Temos que melhorar, parar de tomar gol, estar mais organizado. Hoje, o Tite e outros jogadores foram xingados, mas, amanhã, podem ser outros se a gente não evoluir”, ressaltou.
“A culpa não é do treinador, é de todos nós. Cada um tem a sua parcela de culpa. No domingo, sem sombra de dúvidas, temos que dar uma resposta e ganhar do América-MG”, finalizou.
Na zona mista, o zagueiro Fabrício Bruno mandou um recado à torcida do Cruzeiro e pediu apoio nesse momento de dificuldades. O xerife projetou o clássico contra o América-MG, pelo Campeonato Mineiro, no domingo (8), às 18h (de Brasília), no Mineirão.
“Se eu tiver que fazer um chamado, é que (o torcedor) compareça domingo aqui no Mineirão para que, juntos, a gente possa conquistar essa vitória e virar essa fase. Não é fácil. Vamos sair dela trabalhando, não tem outro segredo. O grupo é esse, todo mundo sabe da qualidade. Temos que ter resiliência”, disse.
Por fim, Lucas Silva também comentou sobre a pressão da torcida diante do início ruim de Tite.
“É um pouco mais de desatenção nossa pelos gols que tomamos. Temos que ter mais atenção do início ao fim, como tivemos no ano passado. Também ser letal como fomos no Mineirão muitas vezes, de matar o jogo. Não tem um fator específico com que não estejamos na melhor versão. É a gente trabalhar mais, correr mais, para encontrar o caminho”, garantiu.
Reserva nos últimos dois jogos, o volante ainda avaliou se a parte física longe do ideal tem relação com o fato de o Cruzeiro ter iniciado 2026 com um time alternativo.
“Confesso que não. Enquanto teve um time que começou a temporada, estávamos treinando, aprimorando a parte física. Esse momento nosso não se deve a isso. Algumas perguntas não temos respostas para esse momento. Tempo ao tempo para a gente entrosar mais com a comissão técnica, encontrar o melhor trabalho. Para ele nos conhecer melhor também, a melhor característica de posição de cada jogador”, encerrou.

