Com negociações avançadas pela contratação de Tite, o Cruzeiro pode voltar a ter um técnico com passagem recente pela Seleção Brasileira. Comandante do Brasil nas últimas duas edições da Copa do Mundo, o gaúcho, de 64 anos, terá uma reunião com Pedro Lourenço nesta terça-feira (16), em Belo Horizonte, para um provável acordo.
Tite pode ser o terceiro técnico recente do Cruzeiro que deixou a Seleção há poucos anos. Contratado em setembro de 2016 pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o treinador ficou no cargo até dezembro de 2022, quando o Brasil foi eliminado no Mundial do Catar.
À frente da Seleção por 2.290 dias, Tite dirigiu o país em 81 oportunidades, com 60 vitórias, 15 empates e apenas seis derrotas, um aproveitamento de 80,20%.
Antes de Tite, entre agosto de 2010 e novembro de 2012, Mano Menezes também comandou a Seleção Brasileira. Foram 834 dias na direção da Amarelinha, com 33 jogos: 21 vitórias, seis empates e seis derrotas. O rendimento foi de 69,70%.
Já em setembro de 2015, Mano chegou à Toca da Raposa II, em Belo Horizonte, e foi importante para livrar o Cruzeiro do rebaixamento. Ao final da temporada, ele acertou com o extinto Shandong Luneng, da China.
Menos de um ano depois, no fim de julho de 2016, Menezes voltou a assumir o Cruzeiro. A segunda passagem seria bem mais longa, até o início de agosto de 2019. No período, Mano conquistou duas edições da Copa do Brasil, mas dirigiu a equipe em todo o primeiro turno na campanha do rebaixamento à Série B.
Quem também comandou o Cruzeiro após dirigir a Seleção foi Fernando Diniz. Hoje no Vasco, o técnico assumiu a função na CBF de forma interina, em julho de 2023, e ficou até janeiro do ano passado. A curta passagem foi marcada por seis jogos, com duas vitórias, um empate e três derrotas, um aproveitamento de 38,90%.
Pelo Cruzeiro, Diniz foi anunciado no fim de setembro de 2024 e deixou o comando na reta final de janeiro deste ano. Contestado pela torcida durante toda a passagem, o treinador foi vice-campeão da Copa Sul-Americana e não conseguiu levar a Raposa à Copa Libertadores em 2025.
No comando do Cruzeiro, Diniz somou 20 jogos, com quatro vitórias, nove empates e sete derrotas. O aproveitamento foi de 35%.
Quem já comandou o Cruzeiro e a Seleção
Ao longo da história, o Cruzeiro já teve diversos técnicos com passagem pela Seleção Brasileira. A maioria deles, no entanto, assumiu o cargo na CBF (ou na antiga Confederação Brasileira de Desportos – CBD) antes do clube celeste.
Zezé Moreira, por exemplo, foi técnico da Seleção Brasileira em duas ocasiões (1952 e 1954), mas muito antes de assumir o Cruzeiro, em 1975, onde ficou até 1977.
Aymoré Moreira, irmão de Zezé, teve trajetória parecida. Ele substituiu justamente Zezé Moreira no comando da Seleção, em 1953, e poucos meses depois de o irmão ter deixado o Cruzeiro, em 1977. Yustrich e Antônio Lacerda Filho dirigiram o time celeste anteriormente naquele ano. Aymoré ainda voltaria ao cargo na CBF em 1961 e em 1967.
Já o renomado Evaristo de Macedo treinou a Seleção Brasileira em 1985, mas só assumiu o Cruzeiro seis anos depois, em 1991.
Carlos Alberto Silva comandou a Seleção entre 1987 e 1988. Antes, assumiu o cargo no Cruzeiro pela primeira vez entre 1986 e 1987. Depois, voltou em 1988, 1989, 1993 e, por fim, em 1995.
Em setembro de 1998, Luxemburgo foi anunciado como o substituto de Zagallo na Seleção e ficou até setembro de 2000. A primeira passagem pelo Cruzeiro começaria dois anos depois e terminaria em 2004, após a conquista da Tríplice Coroa.
Entre março e junho de 2001, Emerson Leão teve rápida passagem pela Seleção. O ex-goleiro trabalhou no Cruzeiro em 2004 e também teve curta trajetória no cargo.
Entre 2000 e 2001, Luiz Felipe Scolari comandou o Cruzeiro e ganhou a Copa Sul-Minas em sua primeira passagem. Ele deixou o cargo em julho para justamente assumir a Seleção Brasileira. Em 2002, seria o comandante do pentacampeonato mundial em torneio realizado no Japão e na Coreia do Sul.
Felipão voltou ao cargo na Seleção em novembro de 2012 e permaneceu até 12 de julho de 2014, logo após a histórica goleada sofrida para a Alemanha, por 7 a 1, no Mineirão, pela semifinal da Copa do Mundo. Seis anos depois desse acontecimento, em outubro de 2020, ele retornou à Toca II e livrou o time de um rebaixamento à Série C.
Dorival Júnior, por sua vez, teve passagem pelo Cruzeiro bem antes de assumir o comando da Seleção Brasileira. Em 2008, Dorival dirigiu a equipe em uma campanha promissora no Brasileirão. O time chegou a ter chances de título, mas caiu de rendimento. Ainda assim, ficou com a vaga na Libertadores.
Quase 20 anos depois de sua única trajetória no Cruzeiro, Dorival foi chamado para substituir Fernando Diniz na Amarelinha. Pela Seleção Brasileira, entre janeiro de 2024 e março deste ano, ele fez 16 jogos, com sete vitórias, sete empates e duas derrotas. Ao longo dos 446 dias no cargo, o aproveitamento de Dorival foi de 58,30%.

