Quase de forma unânime, a torcida do Cruzeiro – assim como direção e jogadores – sente a saída de Leonardo Jardim. O português revolucionou o clube dentro e fora das quatro linhas, ajudando a alinhar vários departamentos ao patamar que o Cabuloso deseja alcançar: voltar a ser protagonista no futebol brasileiro.
Para dar sequência a esse trabalho, o escolhido foi Adenor Bachi, o Tite. Apesar da desconfiança em torno do gaúcho, o ex-treinador da Seleção pode entregar algo que o clube não vive há muito tempo: estabilidade no comando técnico.
Desde 2015, o Cruzeiro teve 22 trocas de treinadores (Tite é a 23ª), excluindo auxiliares e interinos, o que resulta em uma média superior a duas mudanças por temporada. No mesmo período, Tite dirigiu apenas três equipes: Corinthians (2015/2016) – 99 jogos (61V/21E/17D), 68,68% de aproveitamento; Seleção Brasileira (2016 a 2022) – 81 jogos (61V/13E/7D), 80,66%; e Flamengo (2023/2024) – 70 jogos (41V/13E/16D), 64,76%.
Dentro desse recorte de 22 trocas, somente dois treinadores do Cruzeiro tiveram média de pontos por jogo superior ao aproveitamento de Tite no Flamengo
São eles Deivid, em 2016, atuando majoritariamente no Campeonato Mineiro, e Mano Menezes, em 2015, com uma grande recuperação no segundo turno do Brasileirão. Ou seja, há bastante tempo o Cruzeiro não consegue combinar regularidade no comando, longevidade no cargo e desempenho em campo.
Outro fator que pesa a favor da chegada de Tite em 2026 é a experiência em Copa Libertadores. Campeão do torneio, o treinador tem excelente retrospecto: entre técnicos com pelo menos 50 partidas na competição (1960 a 2025), ele está entre os sete melhores em média de pontos por jogo (1960 a 2025), atrás somente de nomes como Abel Ferreira, Carlos Bianchi, Cuca, Renato Gaúcho, Vanderlei Luxemburgo e Felipão. Além disso, em 38 confrontos em casa na Libertadores, Tite soma, extraordinariamente, 30 vitórias e apenas 2 derrotas, um desempenho que reforça o peso de sua contratação.
Sem entrar nos méritos táticos ou nas preferências por estilo de jogo, o Cruzeiro tenta encontrar em Adenor a estabilidade que busca há quase uma década. E, se o objetivo é seguir brigando na parte de cima, essa estabilidade precisa chegar rápido, pois a interrupção constante de trabalhos tende a atrasar a consolidação do Cruzeiro.
Saudações Celestes!

