Acabou o Campeonato Brasileiro e a derrota sofrida frente ao Santos, jogando com uma base de time reserva, vale muito pouco para efeitos práticos. A missão já estava cumprida, 70 pontos, terceiro lugar na tabela e vaga direta à fase de grupos da Copa Libertadores. Durante o jogo, é natural que o torcedor se irrite com uma exibição abaixo, mas este incômodo especificamente passa rápido. Temos uma missão muito mais importante na quarta-feira.
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Tudo que Leonardo Jardim falou sobre a campanha celeste no Brasileirão é verdade. Foi o melhor resultado desde o título de 2014, calamos a boca da maioria dos críticos que apontavam o clube na metade de baixo da tabela, demonstramos uma capacidade de atrair bons atletas por um bom scout e um projeto esportivo sólido… O futuro é muito animador. Mas a grandeza do Cruzeiro não foi escrita propriamente por boas campanhas, mas principalmente, por conquistas.
Então a Copa do Brasil surge como uma oportunidade de ouro para que o Cruzeiro prove estar de volta ao primeiro patamar do futebol nacional.
Após uma crise sem precedentes, voltamos ao cenário das grandes disputas. E se no Brasileirão o título escapou perante a dois adversários notadamente mais fortes, em elenco e finanças, no torneio de mata-mata não tem nenhum bicho papão. O Corinthians é um oponente forte, Vasco e Fluminense que disputam a outra semifinal também tem virtudes. Mas nenhum dos três jogou mais futebol que o Cruzeiro em 2025.
E isso significa alguma coisa? Não. Futebol é competência, que deve ser provada a cada quarta e domingo. E nesta Copa do Brasil, disputada como uma maratona após o fim do Brasileirão, a parte física tem tudo para ser preponderante. Daí vem a maior relevância do confronto com o Santos, Leonardo Jardim deu ritmo a aqueles que tem mais chance de aparecer nos duelos decisivos: Os defensores Fagner, Jonathan Jesus e Kauã Prates, em caso de necessidade, além dos meio campistas Walace, Eduardo e Matheus Henrique, dependendo de circunstâncias táticas.
E o Gabigol? Hoje, é o reserva da dupla de frente. Contra o Santos mostrou alguns lampejos de que possa ser útil neste fim de temporada, e se alguém duvida da capacidade decisiva do camisa 9, a história mostra que não deveria. Matheus Pereira e Kaio Jorge são nossas maiores esperanças de gol no time atual, mas quem vem logo após? Nenhum dos outros jogadores, mesmo os mais importantes e titulares durante o ano, tem no currículo a merecida alcunha de predestinado.
O treinador indicou que a principal dúvida na escalação no momento é na ponta esquerda, em que Sinisterra e Arroyo disputam a titularidade. É um tipo de dor de cabeça que o cruzeirense se desacostumou a ter, após anos de elencos pouco qualificados. Contra o mesmo Corinthians, no Brasileirão, Arroyo e Sinisterra participaram bem da construção de gols (inclusive de um mal anulado do colombiano) e deixaram o lateral Matheuzinho atordoado. Certamente Dorival Junior não se esqueceu disso.
A pergunta do título, poderia muito bem ser feita aos atletas na preleção antes do jogo. Temos jogadores de carreiras muito relevantes, histórico de conquistas e experiência de sobra. Mas nenhum deles foi campeão de algo grande pelo Cruzeiro. Até agora. E não é clichê de torcedor, ganhar por aqui será diferente. Acreditem, é mais difícil e saboroso. Nunca pudemos contar com orçamentos superiores ou ajudas de arbitragem: as conquistas do Cruzeiro vieram no talento e na raça, no campo e na arquibancada.
Torneios eliminatórios normalmente não toleram falhas. Elas precisam ser evitadas, no máximo corrigidas de imediato. Atribuir favoritismo a algum clube neste tipo de disputa é papel das casas de apostas e fomento para as discussões de bar e redes sociais. Na real, ninguém tem a menor ideia do que vai acontecer quando a bola rolar. Minto, uma certeza eu tenho. A torcida do Cruzeiro dará show no Mineirão, empurrando o Maior de Minas para o sétimo título da NOSSA COPA DO BRASIL. Foi assim que entramos e permanecemos sendo a história deste clube gigante. Da minha parte, estou pronto. Vamos fazer história?

