Vivendo seu melhor momento na temporada, o Cruzeiro tem cada vez mais assimilado a identidade do técnico Leonardo Jardim. Invicto há onze jogos, o time tem demonstrado um repertório eficiente para marcar gols — foram 19 nas últimas onze partidas. No entanto, o verdadeiro alicerce desta equipe é a solidez defensiva: durante essa sequência invicta, sofreu apenas quatro gols.
Utilizando majoritariamente o esquema 4-2-3-1, Leonardo Jardim implementa um estilo de jogo baseado em intensa pressão na saída de bola dos adversários. Ao mesmo tempo, aposta em uma equipe compacta, que se defende com marcação por zona quando posicionada em bloco médio ou baixo.
Um time “camaleão”
Na coletiva após a vitória sobre o Palmeiras no último domingo (1º), Leonardo Jardim se descreveu como um “técnico camaleão”, destacando sua capacidade de adaptação ao estilo do adversário. Essa versatilidade tem sido evidente ao longo dos jogos do Cruzeiro no Brasileirão, principalmente no que diz respeito à postura defensiva da equipe.
No confronto contra o Bahia (fora da atual sequência invicta), foi possível observar um Cruzeiro marcando a equipe tricolor desde o início, com encaixes individuais que limitaram a saída curta do adversário e o forçaram a recorrer a bolas longas.

Postado em bloco alto no 4-3-3 durante os momentos sem a bola, Jardim organizou a pressão com os três atacantes pressionando zagueiros e goleiro do Bahia, enquanto os meio-campistas fechavam os espaços dos laterais e de um dos volantes que recuava para auxiliar a saída de bola. A linha defensiva acompanhava essa movimentação, impedindo que o Bahia explorasse jogadas diretas ou ganhasse segundas bolas. O resultado foi um Bahia pouco criativo e uma vitória contundente por 3 a 0 para o Cruzeiro, na 4ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O início da boa fase
Após vencer o Bahia, o Cruzeiro sofreu duas derrotas consecutivas — contra o Red Bull Bragantino (pelo Brasileirão) e contra o Palestino (pela Sul-Americana). O ponto de virada foi na 6ª rodada do Campeonato Brasileiro, diante do Vasco, em 27 de abril, quando Leonardo Jardim teve a chance de mostrar sua capacidade de resposta.
Com exceção de Fabrício Bruno, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Jardim manteve a base que venceu o Bahia, mas apresentou variações táticas.

Ciente das dificuldades do Vasco em construir jogadas curtas, o Cruzeiro adotou um bloco alto em 4-2-3-1, permitindo que os zagueiros adversários tivessem a posse, mas bloqueando as opções de passe por dentro e pelas laterais. Wanderson e Christian foram cruciais ao pressionarem rapidamente os laterais vascaínos assim que recebiam a bola. Apesar de uma atuação ofensiva discreta, o Cruzeiro venceu por 1 a 0, iniciando sua atual boa fase.
Em seguida, o Cruzeiro enfrentou o Flamengo no Mineirão. Diferentemente do Vasco, a equipe rubro-negra possui zagueiros com boa capacidade de construção, o que exigiu uma nova adaptação tática de Leonardo Jardim.

Para neutralizar o jogo por dentro do time comandado por Filipe Luís, Jardim adotou o 4-4-2 em todas as alturas de bloco. Matheus Pereira e Kaio Jorge pressionavam os zagueiros flamenguistas, impedindo passes centrais, enquanto Christian e Wanderson cuidavam dos laterais adversários. A compactação do time foi essencial: o espaço entre as linhas era tão reduzido que jogadores como Pedro e Arrascaeta tiveram dificuldades para atuar, comprometendo o desempenho ofensivo do Flamengo.
Vitória de afirmação
Na última rodada, o Cruzeiro enfrentou o Palmeiras, então líder do Campeonato Brasileiro. O confronto tinha grande importância para ambos os lados, que disputam posições no topo da tabela.
Sem Lucas Villalba e com Fagner fora da condição física ideal, Jardim escalou Jonathan Jesus e William, mantendo o restante da equipe. Embora tenha começado com o 4-2-3-1, o Cruzeiro voltou ao 4-4-2 defensivo, desta vez com um bloco médio.

Com a equipe novamente muito compacta, Leonardo Jardim conseguiu forçar o Palmeiras a jogar pelas laterais e evitou a construção por dentro, neutralizando jogadores como Richard Ríos e Raphael Veiga. Com dois gols marcados nos primeiros quatro minutos, o Cruzeiro dominou completamente a primeira etapa e venceu com autoridade.
Ainda no primeiro tempo, foi possível observar uma variação saindo do 4-4-2 para um 4-3-3 em bloco alto e com encaixes individuais, assim como foi no confronto diante do Bahia.

O Cruzeiro de Leonardo Jardim tem se mostrado uma equipe taticamente flexível e defensivamente sólida. A capacidade de se adaptar aos diferentes contextos de jogo e adversários tem sido a base da ótima fase vivida pelo time. Com consistência defensiva, organização coletiva e resultados expressivos, o Cruzeiro se consolida como uma das forças do Campeonato Brasileiro e sinaliza que pode brigar por objetivos ambiciosos ao longo da temporada.

