O Cruzeiro trocou os pneus com o carro andando em 2025 (e praticamente em todas as últimas temporadas). Desta vez, deixamos para traz uma filosofia de posse de bola e muitos passes, que na prática nunca se converteu em um time agressivo, para um estilo de jogo mais vertical e intenso que, na prática, tem se mostrado mais aplicável ao elenco que foi montado para este ano.
Com sete rodadas disputadas no Campeonato Brasileiro, temos uma pequena amostra do que o técnico Leonardo Jardim pensa sobre o jogo e sobre como a equipe deve se comportar. Contudo, já é possível observar padrões e tendências que devem seguir até o final da temporada.
Ainda que o Cruzeiro seja uma equipe que jogue menos com a bola, sendo a 4ª com menos passes completos e com 4ª menor posse de bola média do principal torneio nacional, é possível perceber que somos um time mais intenso e lutador em campo. Prova disso: somos a 1ª equipe com mais faltas cometidas, 1ª com mais duelos defensivos, 1ª com mais bloqueios em passes e chutes e a 3ª com mais desarmes.

Sem sombra de dúvidas, a equipe joga menos com a bola, mas sempre procura dificultar os adversários quando eles detêm a posse, seja com linhas altas forçando o erro no campo de ataque celeste ou com bastante intensidade na marcação, buscando duelos a todo momento.
O rival até pode ter a bola, mas dificilmente conseguirá levá-la com qualidade e espaço ao terço defensivo do Cruzeiro, facilitando o trabalho dos zagueiros e do goleiro Cássio.
Além disso, esse estilo de jogo torna-se uma arma efetiva para o ataque estrelado, uma vez que as recuperações de posse e progressões verticais, sobretudo com Kaio Jorge, que possui grande explosão física, geralmente têm resultado em ações de finalização e gols, como vimos contra Bahia, Vila Nova e Flamengo ao longo das últimas semanas.
E o mérito de toda essa transformação é, em grande parte, do treinador Leonardo Jardim que fez mudanças impopulares no time titular para potencializar os jogadores que mais encaixam com o estilo de jogo que pensa. Os jogadores remanescentes compraram a ideia do português e, com isso, nomes menos badalados como Villalba, Fagner, Lucas Romero e Christian têm sido potencializados e se tornados pilares da equipe.
Wanderson e Matheus Pereira, jogadores mais ofensivos dentro do esquema, também auxiliam na marcação e são cruciais para que o time mantenha uma pressão desde a primeira linha de ataque, atrapalhando a posse de bola do adversário desde a saída de bola. Matheus Pereira, por exemplo, tem uma média superior a 2 desarmes certos nas últimas 4 partidas da equipe. São momentos que passam despercebidos e que são fundamentais para o funcionamento do coletivo estrelado.
Pensando no futuro, a diretoria precisa estar bem alinhada com a comissão técnica para que as dispensas, contratações, promoções e desligamentos sejam sempre pensando nessa forma de jogo. É preciso agregar qualidade ao elenco, mas pensando em sempre agregar e potencializar o que de bom já vem sido construído dentro da Toca da Raposa II.
Saudações Celestes!

