Após a derrota do Cruzeiro por 1 a 0 para o Red Bull Bragantino, o técnico Leonardo Jardim foi questionado, em entrevista coletiva, sobre a utilização de determinados atletas e as intenções do comandante celeste em relação aos jogadores das categorias de base. Ele respondeu da seguinte maneira:
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“Primeiro, os contratados têm que mostrar o porquê de estarem no clube. Em segundo lugar, com certeza, aos poucos, os jovens estão se ambientando para, no futuro, não se assustarem”, disse o técnico do Cruzeiro.
“Nosso objetivo não é eles se assustarem e fazerem mal. O objetivo é mantê-los e, aos poucos, ganharem um espaço dentro do elenco e, depois, entre os 11”
Leonardo Jardim, técnico do Cruzeiro
De fato, o ponto levantado por Leonardo Jardim faz sentido, visto que a diretoria celeste realizou diversos movimentos para a chegada de atletas experientes ao plantel. Cabe a esses jogadores dar a devida resposta em campo e pavimentar o caminho para a entrada dos jovens atletas no momento oportuno. Porém, diante das atuações de parte desses jogadores, a pergunta que fica é: eles estão mesmo pavimentando esse caminho?
O questionamento é válido não porque estamos falando de uma geração de jovens atletas repleta de grandes estrelas do futebol, mas porque o tempo começa a se tornar um inimigo dos ‘crias’ da Toca à medida que aqueles que deveriam pavimentar o caminho estão, na verdade, tornando-o ainda mais tortuoso.
Isso afasta ainda mais o momento de integração desses garotos — ou até mesmo cria um ambiente mais hostil que, em algum momento, dependerá justamente dos jovens para voltar a ser equilibrado e mais pacífico.
Voltando ao papel do comandante, Leonardo Jardim acerta ao sair em defesa dos jovens que, dentro do ecossistema do clube, são as peças mais frágeis. Ele entende que esses garotos ainda estão em processo de adaptação para um novo nível competitivo e uma rotina de treinos mais intensa, além de outras exigências profissionais.
Entretanto, o dilema para o novo comandante será entender que talvez seja melhor contar com atletas jovens em fase de crescimento como opções (e não como soluções), em meio a um calendário que não permite respiros, do que esperar por uma resposta de jogadores já experientes que não estão em condições de ajudar a equipe ou, tampouco, de pavimentar um caminho mais tranquilo para a ascensão dos jovens.

