A vitória do Cruzeiro sobre o Uberlândia por 3 a 1 nos trouxe algumas boas notícias, como o primeiro gol de Gabi no Mineirão e o primeiro de Dudu após seu retorno ao clube. No entanto, a principal manchete foi triste, a grave lesão sofrida por João Marcelo, ainda no primeiro tempo. O diagnóstico confirmado de ruptura de ligamentos e menisco indica a necessidade de cirurgia e a certeza de longos meses de ausência dos jogos, possivelmente o fim da temporada para o camisa 43.
Substituir aquele que foi um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro na última temporada seria difícil de todo modo. É verdade que o desempenho de João caiu na reta final de 2024 e que Jonathan Jesus e Fabrício Bruno começaram melhor o ano atual, merecendo a titularidade. Mas perder um zagueiro tão confiável afeta o planejamento da diretoria e abre o questionamento sobre a melhor forma de repor esta lacuna.
Contratar outro zagueiro ou usar a base?
A informação de momento é que a diretoria pretende ir ao mercado e deve trazer algum jogador para disputar posição, contando com a avaliação do novo treinador Leonardo Jardim. Enquanto isso, Bruno Alves e Janderson, zagueiros titulares na última Copa São Paulo, estão integrando os treinamentos do time principal. Daí vem a premissa deste vídeo: o mercado oferece boas alternativas ou deveria ser tentada uma solução caseira?
Pensando nas alternativas da base, Bruno Alves seria o mais cotado. Aos 19 anos, tem na parte técnica seu destaque. Bom nas disputas aéreas e leituras de jogo, é destro, mas acha bons passes e lançamentos com os dois pés. Sofreu com lesões em 2024, mas fez boa Copinha e foi sondado por diversos clubes europeus, a destacar Porto e Real Madrid. Com contrato até o fim de 2027, teve proposta do Colorado Rapids, dos Estados Unidos, recusada no último mês.
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Janderson é outra opção e chama atenção pela parte física, demonstrando muita força, bom jogo aéreo e velocidade. Também no último ano de sub-20, acaba de ser adquirido junto ao Fluminense do Piauí por 300 mil reais, como noticiou a Central da Toca. Assinou contrato até 2028, o que mostra que a diretoria acredita no seu potencial, mas ainda peca na regularidade, tendo feito partidas muito boas em seu curto tempo de clube, mas colecionando algumas falhas graves.
O Cruzeiro teve dificuldades para conseguir a contratação de um zagueiro que viesse para ser o xerife da defesa. Tentou muita gente até conseguir Fabrício Bruno, cria da Toca e uma ótima contratação, mas por 7 milhões de euros à vista. Após o fracasso na negociação por Valentín Gómez, do Vélez Sarsfield, Pedro Lourenço indicou que não pretende fazer outros movimentos tão ousados.
Sem disposição para gastar alto, restaria ao Cruzeiro fazer alguma aposta. Buscar um jogador que esteja com pouco espaço em seu clube atual, algum jovem como aconteceu com Jonathan Jesus, ou algum jogador regular, mas que não seja unanimidade técnica, como podemos classificar Lucas Villalba.
Dar minutos a atletas jovens no Mineiro é um pedido de boa parte da torcida. A diretoria também fala da necessidade de revelar jogadores para a saúde financeira do clube. Mas quando a ocasião se oferece, parece faltar coragem. Um jogador de 19 anos, como os dois citados no texto, não tem medo da pressão de jogar no profissional. Eles trabalharam e sonharam por esta oportunidade a vida inteira.
O real medo deles é de não ter a chance de jogar, estourar a idade e ter que recomeçar em algum clube menor, como diversos jogadores formados no Cruzeiro foram forçados a fazer. Claro que é necessária cautela para não queimar etapas, mas este discurso não faz sentido para quem está no último ano de base. O que mais um jogador precisa fazer para se mostrar digno de uma chance?
Leonardo Jardim
A chegada da nova comissão técnica, chefiada por Leonardo Jardim, pode ser um ponto de virada nesta cultura de desperdício enraizada na Toca da Raposa. E antes de trazer desesperadamente um novo jogador, seria interessante que Jardim pudesse acompanhar nos treinamentos o desenvolvimento de Bruno e Janderson. Enquanto mapeia o mercado em busca de uma opinião realmente boa.
Como cruzeirense, sempre verei com bons olhos a chegada de grandes jogadores. O que precisamos combater é a mania de contratação de atletas medianos, simplesmente por contratar. Um clube com a estrutura do Cruzeiro precisa ser capaz de formar jogadores que possam compor o elenco. E se a ideia é apostar, que acreditemos no “produto interno bruto”. Ou será que os crias da Toca precisam se provar fora do clube e voltar a peso de ouro para merecer respeito?

