Após a demissão de Fernando Diniz, o Cruzeiro foi ao mercado e fechou com o técnico português Leonardo Jardim. A chegada do treinador, que deixou o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, para dirigir a Raposa, gera expectativa no torcedor cruzeirense em torno de um trabalho sólido e duradouro.
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Apesar de nunca ter trabalhado antes no futebol brasileiro, Jardim possui grandes virtudes que podem fazer o seu trabalho à frente do Cruzeiro entregar bons resultados de forma imediata. Abaixo, destaco cinco qualidades do segundo treinador português da história do Cruzeiro.
Perfil vencedor
Aos 50 anos, Leonardo Jardim é um técnico com conquistas relevantes em seu currículo. Na temporada 2012/13, o português conquistou o Campeonato Grego e a Copa da Grécia pelo Olympiacos. Ainda no continente europeu, Jardim alcançou o feito de faturar o Campeonato Francês com o Mônaco.
Na oportunidade, a equipe alcançou incríveis 95 pontos em 38 jogos (2ª maior pontuação da história do torneio) e encerrou um tabu de 17 anos sem um título de campeonato nacional. Vale lembrar que, ainda em 2016/17, Jardim levou o Mônaco à semifinal da Liga dos Campeões da Europa, deixando os poderosos Manchester City (já comandado por Pep Guardiola) e Borussia Dortmund pelo caminho.
Fora do continente europeu, Leonardo Jardim também teve sucesso. Em 2021, o treinador foi campeão da Supercopa da Arábia Saudita e também da Liga dos Campeões da Ásia, o que proporcionou à disputa do Mundial de Clubes para a equipe no início de 2022. Ainda no mundo árabe, o português conquistou o Campeonato dos Emiradense de Futebol com o Shabab Al-Ahli em 2022/23.
Para quem almeja volta a conquistar títulos a curto prazo, é fundamental contar com um treinador que conheça o caminho das vitórias. Definitivamente, é o caso de Leonardo Jardim.
Estilo adaptável
Chama atenção o fato de Leonardo Jardim ter sido campeão em quatro locais diferentes: Grécia, França, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O treinador ainda fez um grande trabalho no Sporting, de Portugal, quando foi vice-campeão português em 2013/14.
Jardim conseguiu comprovar a sua capacidade em diversos centros, o que reforça sua habilidade de se adaptar rapidamente ao local que está inserido. É um ponto que pode contribuir para que o treinador consiga dar a melhor resposta possível a curto prazo em sua primeira experiência no Brasil, assim como alguns de seus compatriotas – Jorge Jesus, Abel Ferreira e Artur Jorge.
Vale registrar que todos os três exemplos citados acima chegaram ao longo da temporada – Jorge Jesus em junho de 2019, Abel em outubro de 2020 e Artur Jorge em abril de 2024 – e tiveram sucesso. Jardim tem tanta capacidade (ou mais) para se adaptar bem e entregar um bom trabalho ainda em 2025.
Modelo de jogo ofensivo
Por onde passou, Leonardo Jardim ficou conhecido como um treinador que tem aptidão por estruturar times que propõem o jogo ao adversário. Obviamente, é um aspecto que casa com o perfil do elenco celeste.
Jardim estrutura equipes objetivas com a posse da bola e que conseguem ser velozes em direção ao gol. Sem a posse, os times do português costumam exercer pressão alta na marcação com muita intensidade e disciplina tática.
Olhar aguçado para jovens talentos
Ao longo de sua carreira, Jardim ficou marcado por potencializar inúmeros jogadores de pouca idade. O Mônaco de 2016/17, trabalho mais bem sucedido da carreira do português, é um grande exemplo disso.
Na França, Leonardo Jardim potencializou jogadores jovens como Mendy, Bernardo Silva, Fabinho, Lemar e, claro, Kylian Mbappé. Além dos atletas terem dado grande retorno técnico, todos geraram muito dinheiro aos cofres do Mônaco com transações astronômicas.
Em 2022/23, Jardim foi responsável por desenvolver um jogador bastante conhecido do torcedor brasileiro: Igor Jesus, do Botafogo. Sob o comando do português no Shabab Al-Ahli, o centroavante cresceu de rendimento e foi um dos principais responsáveis pelo título do Campeonato Emiradense de Futebol.
Ao próprio Central da Toca, Pedro Lourenço, dono da SAF celeste, afirmou recentemente que quer dar mais espaço para jovens jogadores (principalmente da base) em um futuro próximo. Nada melhor do que contar com um técnico que tem especialidade nisto para que tal questão seja alcançada.
Aptidão para trabalhar com brasileiros
Em boa parte dos clubes que passou, Leonardo Jardim dirigiu atletas nascidos no Brasil. Alguns deles, inclusive, já tiveram papel de destaque com o treinador.
No Mônaco, o zagueiro Jemerson e o volante Fabinho foram titulares absolutos da equipe na trajetória do título do Campeonato Francês de 2016/17. Alguns anos depois, foi a vez de Matheus Pereira, hoje no Cruzeiro, ser um dos principais jogadores do Al Hilal de Leonardo Jardim – meia, inclusive, chegou a pedido do português. Mais recentemente, os brasileiros Igor Jesus e Róger Guedes foram fundamentais para Leonardo Jardim por Shabab Al-Ahli e Al-Rayyan, respectivamente.
Certamente, o histórico positivo de jogadores brasileiros sob o comando de Leonardo Jardim pesa de forma favorável para que o português tenha êxito no dia a dia de trabalho em solo brasileiro.

