Há tempos, as discussões sobre fair play financeiro e teto de gastos têm rondado as mesas redondas sobre o futebol brasileiro, escancarando o aumento exponencial das cifras envolvendo a compra e venda de atletas.
Um ponto em comum de todas essas discussões é a capacidade dos clubes em gerar receitas, com os especialistas sempre citando patrocínios, cotas de TV, e esquecendo de um detalhe importante dentro desse “ecossistema” do futebol: a venda de atletas.
Trazendo esse debate para o ponto de vista do Cruzeiro, é necessário entender a mudança de mentalidade da SAF desde a troca dos donos. Se, durante a “Era Ronaldo”, o time tinha poucos recursos e se pautava em jogadores de baixo custo que se encaixavam no modesto orçamento da equipe, a gestão de Pedro Lourenço chegou abrindo os cofres e apostando em um modelo de grandes contratações que pudessem elevar o patamar da equipe, contando, claro, com o dinheiro do agora dono da SAF, Pedro Lourenço.
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Analisando as receitas geradas pelo Cruzeiro e os valores desembolsados nas últimas duas janelas, fica claro que, a longo prazo, o Cruzeiro precisará de outras receitas além de sócio-torcedor, patrocínios e direitos de transmissão. Faz-se cada vez mais necessário que o Cruzeiro volte a revelar jogadores com potencial para entregar retorno financeiro, além, claro, do retorno técnico.
Entretanto, o maior desafio hoje do Cruzeiro, pensando no incremento dessa receita oriunda da venda de jovens atletas, é a falta de minutos dessas peças no time profissional.
Nomes como Kauã Prates (16 anos), Bruno Alves (19 anos) e Cauan Baptistella (17 anos) são jogadores de muito potencial e que poderiam render frutos esportivos e financeiros ao Cruzeiro.
As três joias celestes
Começando pelo mais jovem do trio de Crias da Toca, é necessário ressaltar o fato de Kauã Prates já estar queimando etapas. Nascido em 2008, o lateral-esquerdo já desponta como titular na categoria Sub-20 do Cruzeiro e, inclusive, já foi convocado para um período de treinamentos com a Seleção Brasileira Sub-20. Aliando boa capacidade física, velocidade e boa técnica, o lateral tem um perfil equilibrado, sendo bom nos momentos ofensivos e também defensivos.
Um ano mais velho que Kauã Prates, Baptistella é outro jogador que vem ganhando espaço na categoria acima da sua idade em 2025. Meia de bastante qualidade ofensiva, o jovem ítalo-brasileiro teve números fantásticos em 2024 pela categoria Sub-20, marcando 24 gols e 23 assistências em 41 jogos.
Fechando o trio de jogadores citados, falamos de Bruno Alves, o mais velho dos três. O zagueiro vem se destacando nas categorias de base do Cruzeiro há alguns anos, com muita qualidade na construção de jogadas. O defensor reúne características que vão ao encontro do que o futebol moderno exige de zagueiros. Bruno talvez seja o mais preparado do trio para o salto ao time profissional, tanto fisicamente quanto tecnicamente falando.
Minutos, a “moeda” mais cara do futebol
Apesar de todas as qualidades que o trio de atletas do Cruzeiro reúne, falta um ponto muito importante, que foi anteriormente citado no texto: minutos jogados no time profissional. Pegando como exemplo duas vendas recentes do futebol brasileiro, podemos observar como minutos jogados no profissional são importantes tanto para o desenvolvimento do atleta quanto para a exposição desses talentos para times do exterior.
Uma dessas vendas foi a de Gabriel Carvalho, meio-campista do Internacional, que foi vendido ao Al Qadisiyah da Arábia Saudita por US$ 22 milhões, sendo US$ 16 milhões fixos e os outros US$ 6 milhões em metas. Com apenas 17 anos, Gabriel Carvalho somou na temporada passada 1.343 minutos jogados no profissional, totalizando 26 jogos, levando em conta Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana.
Outro caso recente foi a venda do zagueiro do Palmeiras, Vitor Reis, de 19 anos, ao Manchester City. Custando 35 milhões de euros, o defensor do alviverde se tornou a maior venda de um zagueiro na história do futebol brasileiro. Alçado aos titulares do time comandado por Abel Ferreira durante a temporada passada, Vitor soma 1.817 minutos jogados, totalizando 22 partidas, levando em conta Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores.
Se o time planeja aumentar sua arrecadação e, acima de tudo, se tornar mais sustentável, como por várias vezes citou o CEO de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos, os casos acima precisam servir de exemplo para que o departamento de futebol da Raposa passe a olhar de uma forma mais cuidadosa e profissional para o processo de transição, fornecendo aos jovens talentos do clube minutos para que eles possam se desenvolver no profissional.

