O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sancionou, no fim da última semana, a lei que permite a retirada de cadeiras em estádios públicos de Minas Gerais, entre eles o Mineirão, em Belo Horizonte. Mas o Gigante da Pampulha, casa do Cruzeiro, aumentará a capacidade numa eventual mudança na composição dos setores?
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Gerente técnico da Minas Arena, concessionária que administra o estádio, Otávio Goes afirmou no fim do mês passado, em visita técnica de deputados estaduais ao estádio, que a retirada de cadeiras não resultaria, necessariamente, no aumento da capacidade.
Essa ampliação dependeria, segundo o profissional, de outros fatores, como criação de novas rotas de fuga e aumento no número de catracas e bares. A responsabilidade da decisão é do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Há, ainda, o debate sobre quem pagaria o custo de uma operação desta natureza, orçada em cerca de R$900 mil.
Diretor de marketing e comercial do Cruzeiro, Marcone Barbosa esteve na visita dos deputados ao Mineirão, no fim do mês passado, e reforçou a posição do clube. “A gente vê a retirada das cadeiras do Setor Amarelo com muito bons olhos. Mas óbvio que isso depende de um estudo mais aprofundado, de como se dará essa retirada e os custos desta retirada”, disse.
Amarelo sem cadeiras?
A campanha que impulsionou a criação da lei, criada por um movimento de torcedores do Cruzeiro, pedia o Setor Amarelo, atrás de um dos gols, onde ficam as principais organizadas do clube, sem cadeiras. Contudo, a Minas Arena já antecipou que não será possível fazer a retirada dos assentos no anel superior.
Goes sinalizou, na visita dos deputados, que a inclinação e a largura dos degraus nos setores superiores são incompatíveis com a instalação de barras antiesmagamento, uma exigência do Corpo de Bombeiros.
A retirada das cadeiras poderia ser feita, portanto, apenas no Amarelo Inferior. Calcula-se que o espaço tem, hoje, cerca de 7 mil cadeiras.
Qual seria a nova capacidade?
Não há dados públicos do estudo realizado pela Minas Arena sobre a retirada das cadeiras. Um laudo já foi enviado ao Corpo de Bombeiros, mas segue sob sigilo.
A título de comparação, em 2018, o então consórcio responsável pela administração do Maracanã, no Rio de Janeiro, pensou em mudança semelhante – a ideia não foi adiante. Na época, foi calculado que no espaço de duas cadeiras retiradas caberiam três torcedores. Ou seja, 50% a mais de capacidade.
Se a conta for aplicada no Mineirão, o Amarelo Inferior ganharia cerca de 3,5 mil lugares, o que elevaria a capacidade total do Gigante da Pampulha para cerca de 65 mil pessoas (para jogos em que não há torcida visitante).
Preço dos ingressos
A lei sancionada pelo governador exige que os “valores cobrados pelos ingressos nos setores em que não há cadeiras serão inferiores aos dos demais setores do estádio”.
No entanto, não há percentuais específicos das deduções que deverão ser praticadas, o que pode dificultar a criação de um setor de fato “popular”, conforme defendeu a campanha inicial dos torcedores do Cruzeiro.
Atualmente, vale lembrar, os preços dos ingressos do setor Amarelo Inferior já são os menores praticados pelo Cruzeiro em seus jogos no estádio.

