Os boletins financeiros dos jogos do Cruzeiro contra Grêmio e Juventude, realizados no Mineirão em 13 e 20 de julho, apontaram uma redução drástica de despesas da operação do estádio. Apesar disso, conforme apurou Central da Toca e Samuca TV, as condições da Raposa para atuar no Gigante da Pampulha não foram modificadas.
Até a partida contra o Palmeiras, antes da parada do calendário em função da Copa do Mundo de Clubes, a média de despesa do Cruzeiro para atuar no Mineirão era de cerca de R$ 700 mil – excluindo o jogo diante do Mushuc Runa, pela Copa Sul-Americana, disputado com portões fechados, em abril.
Em praticamente todos os jogos até aquele momento, o Cruzeiro conseguiu fazer projeções assertivas de público e, assim, só abrir o estádio por inteiro em compromissos que de fato receberam grande público. Esse ajuste da operação, em que não há mão de obra ociosa (seguranças, bares e outros terceirizados), reduz muito o custo para o clube celeste.
Já na partida contra o Grêmio, no primeiro jogo da obrigatoriedade do cadastro facial, o Cruzeiro abriu o estádio inteiro, mas recebeu cerca de metade da capacidade – o que, em tese, aumentaria consideravelmente as despesas. Os números do boletim financeiro, no entanto, apontaram o inverso: o menor custo de operação do ano, de cerca de R$ 215 mil.
No duelo contra o Juventude, no último domingo (20), os números mostraram o segundo menor custo de operação do ano, de R$ 365 mil, mesmo com 52.850 torcedores no estádio. A título de comparação, a partida contra o Flamengo, em maio, que recebeu 52.792 pessoas, custou ao clube celeste R$ 894 mil. A redução do custo de um jogo para outro, com praticamente o mesmo público, seria de R$ 529 mil.
Houve redução?
Apesar de os números apontarem para uma redução importante no montante da operação para se mandar uma partida no Mineirão, o Cruzeiro não recebeu esse “desconto”. Pelo menos não até agora. A reportagem apurou que o clube celeste apenas optou por apresentar no boletim financeiro das partidas números menos detalhados.
De acordo com fontes ouvidas pelo Central da Toca, isso se deu, principalmente, porque, como a prestação de contas é feita imediatamente após a realização da partida, muitos ajustes contábeis precisavam ser realizados posteriormente e isso nunca era retificado “oficialmente”.
A partir de agora, portanto, não é mais possível saber qual o lucro líquido real do Cruzeiro nos jogos como mandante – apenas a renda bruta. Até aqui, o Cruzeiro já faturou cerca de R$ 23 milhões com bilheteria, além do valor embolsado na partida contra o Vasco, no Parque do Sabiá, em abril, quando o mando foi vendido a um grupo de empresários.
Novo contrato
Vale lembrar que Cruzeiro e Minas Arena, concessionária responsável pela administração do Mineirão, estão em fase de negociações para um novo acordo. O atual contrato vence no fim desta temporada e há otimismo entre as partes para que um novo vínculo seja firmado. Presidente da SAF celeste, o empresário Pedro Lourenço já revelou publicamente o desejo de que as condições sejam melhoradas em um eventual novo acordo.

