A audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nessa quinta-feira (29), deu um passo importante em relação a criação de um ‘setor popular’ no Mineirão. Cruzeiro, Minas Arena e Governo do Estado iniciaram as conversas para entender a possibilidade da retirada dos assentos do Setor Amarelo do Gigante da Pampulha. Essa cobrança partiu de torcedores celestes na campanha ‘Amarelo Sem Cadeiras’.
Estiveram presentes no debate: Marcone Barbosa (diretor de marketing do Cruzeiro), Jacqueline Alves (diretora da Minas Arena), Silvia Machado Lage (secretária de Infraestrutura, Mobilidade e Parceria), além dos deputados Professor Cleiton, Bruno Engler, Coronel Henrique e Alencar da Silveira Júnior (presidente do América-MG).
As partes envolvidas na reunião concordaram em dar continuidade no assunto para que, talvez, a solicitação dos torcedores seja atendida em um futuro próximo. A concessionária que gere o estádio afirmou que fará um estudo para entender o que seria necessário, já que a administração trata de uma Parceria Público e Privada (PPP).
Mesmo em consonância de ideias, ainda seria necessário a aprovação de vários órgãos. Para que o projeto saia do papel, Governo Estadual, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte (COPCM-BH) teriam que dar o aval.
O Central da Toca traz abaixo os posicionamentos de Cruzeiro, Minas Arena, ALGM e Governo de Minas.
Cruzeiro
Durante a reunião, Marcone Barbosa afirmou que incentiva a criação de um setor popular no Mineirão, já que há espaço para tal.
“O Cruzeiro apoia e incentiva que isso aconteça. O estádio tem oito setores, que são espaços que podem abrigar qualquer tipo de público. Não há motivo para que a gente não possa trabalhar um espaço específico para aquele torcedor que possa assistir ao jogo em pé, ter uma festa mais efusiva, e a retirada das cadeiras propicia isso”, iniciou.
Em nota enviada à reportagem, o Cruzeiro complementou a fala do diretor e também demonstrou cautela ao debater o tema, já que será necessário entender as questões normativas e operacionais dessa ação.
“A retirada das cadeiras do setor amarelo do Mineirão é um desejo já manifestado do nosso torcedor. Dessa forma, alinhado com a vontade da nossa torcida, o Cruzeiro é favorável a esta iniciativa. Precisamos entender as questões normativas e operacionais que envolvem esta ação. Estamos acompanhando de perto o desenrolar deste projeto e faremos o que estiver a nosso alcance para que isso aconteça”, emitiu.
Minas Arena
Por sua vez, Jacqueline Alves apontou uma preocupação maior com a segurança dos torcedores que vão ocupar o possível setor popular. A diretora da Minas Arena também destacou que já existe um projeto em curso e aprovado pelo Corpo de Bombeiros para a retirada das cadeiras.
“Por ser um estádio concedido, não estávamos liberados a realizar essa retirada de cadeiras. Já acionamos um consultor, que fez o projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros em 2012. Nossa maior preocupação é com relação à segurança. Eu vim no intuito de colaboração, e estamos empenhados no mesmo caminho”, explicou.
Apesar de ter sinalizado positivamente para o avanço do projeto, a concessionária fez um alerta. Com a possibilidade de maior público em um determinado setor do estádio, será preciso um estudo mais elaborado para calcular os impactos no aumento de peso na estrutura da arquibancada, por exemplo.
ALMG
Ao Central da Toca, o deputado Professor Cleiton disse que o assunto será debatido em uma reunião específica do conselho gestor da ALMG, que fiscaliza o contrato de concessão do Mineirão.
“Da parte da ALGM, existem vários Projetos de Lei que estão tramitando, um da minha autoria, inclusive, que foram anexados ao Projeto de Lei do deputado Bruno Engler para dar segurança jurídica, já que uma lei de 2021 proibia a retirada de cadeiras em estádios concessionados, que no caso entraria o Mineirão”, disse.
“Acredito que a gente vai avançar, tanto é que eu solicitei ao Estado, que na próxima reunião do conselho gestor, que fiscaliza o contrato do Mineirão, esse assunto seja exclusivamente trato na reunião”, completou.
Governo de Minas Gerais
Silvia Machado Lage garantiu que o Governo de Minas também não se opõe a retira das cadeiras de um espaço do Mineirão. Ela ressaltou que é papel do Poder Executivo ouvir as partes interessadas e encontrar uma solução.
“Penso que enquanto representante do governo e da gestão do contrato do Mineirão, meu papel é mais de ouvir as partes. Pelo lado do Estado, afirmo que vamos cumprir o contrato”, concluiu.

