Em uma temporada marcada por uma intensa “virada de chave”, o Cruzeiro encerrou 2025 com a presença de três técnicos. No início do ano, o time celeste foi comandado por Fernando Diniz, já contestado pela falta de resultados em 2024, e pelo interino Wesley Carvalho antes da contratação do português Leonardo Jardim.
Anunciado em 23 de setembro do ano passado, Fernando Diniz só dirigiu o Cruzeiro em três jogos oficiais em 2025. Após a realização da pré-temporada e dos amistosos nos Estados Unidos, a equipe cruzeirense estreou com vitória sobre o Tombense, mas perdeu para o Athletic e empatou com o Betim, pelo Campeonato Mineiro.
Com a imagem desgastada perante a torcida e aos dirigentes, Diniz acabou demitido no dia 27 de janeiro, dois dias depois do tropeço contra o Betim. Com uma vitória, um empate e uma derrota, além dos três gols marcados e dos três sofridos, o treinador foi desligado pelo Cruzeiro com 44,44% de aproveitamento em 2025.
Peça fixa na comissão técnica do Cruzeiro, o auxiliar Wesley Carvalho – que teve a experiência como treinador do Athletico-PR – assumiu a função deixada por Diniz temporariamente. Por ter conhecimento do elenco, Wesley fez com que o time crescesse de desempenho e também de rendimento dentro de campo.
Sob o comando de Wesley Carvalho, a Raposa goleou o Itabirito, venceu o Uberlândia, empatou com o América-MG e perdeu para o Atlético-MG. O clássico se notabilizou pela expulsão de Gabigol e pela não expulsão de Lyanco em lance com Dudu. Naquele dia, Jardim já havia sido oficializado pelo Cruzeiro, mas assistiu ao duelo em um dos camarotes do Mineirão, em Belo Horizonte.
Nos quatro compromissos em que dirigiu o Cruzeiro, Wesley Carvalho teve 58,33% de aproveitamento. Em um recorte menor de jogos e contra adversários mais acessíveis, o auxiliar teve índices ligeiramente superiores aos de Jardim.
Passagem de Jardim pelo Cruzeiro
Com pouco tempo para se adaptar ao Brasil, Jardim estreou três dias depois da derrota no clássico. As primeiras impressões, inclusive, não foram nada boas. Com uma formação alternativa, o Cruzeiro perdeu para o Democrata-GV, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, em um indício de que o cenário precisava ser radicalmente alterado.
Na sequência do Estadual, o Cruzeiro enfrentou o América-MG duas vezes, pela semifinal do Estadual, e foi eliminado para o arquirrival. A desclassificação esvaziou o calendário celeste, que ficou mais de um mês sem partidas oficiais.
Esse período foi utilizado por Jardim para conhecer a fundo as características do grupo e tentar encontrar soluções para um elenco que recebeu investimentos importantes. A primeira boa resposta veio na estreia do Campeonato Brasileiro, quando o Cruzeiro venceu o Mirassol, no Mineirão.
A tranquilidade na Toca da Raposa II, em BH, no entanto, durou pouco tempo. Isso porque o Cruzeiro perdeu para o Unión Santa Fe, da Argentina, e o Mushuc Runa, do Equador. Os reveses culminaram na virtual eliminação na fase de grupos da Copa Sul-Americana, confirmada nas rodadas finais.
Sob pressão, Jardim optou por fazer mudanças estruturais relevantes no time titular com as saídas de Gabigol e Dudu – principais reforços para 2025 – e entradas de Christian e Wanderson. O Cruzeiro ganhou competitividade e passou a ter maior equilíbrio nas partidas.
Consistente, o Cruzeiro assumiu um certo protagonismo no Brasileirão e lutou pelos principais títulos da temporada. Embora Jardim tenha feito mudanças ao longo da temporada, as trocas foram pontuais, além de o técnico ter recebido reforços para melhor composição do grupo.
Um dos principais responsáveis pela terceira posição do Cruzeiro na Série A e pela presença na semifinal da Copa do Brasil, Jardim deixou a Toca II por motivações pessoais neste mês. Apesar de não ter conquistado títulos, o português concluiu o principal objetivo do clube em 2025: garantir vaga direta à fase de grupos da Copa Libertadores.
Querido pela torcida, o lusitano voltou ao Velho Continente depois de 55 jogos, com 26 vitórias, 18 empates e 11 derrotas, um aproveitamento de 58,18%. Na ‘era Jardim’, o Cruzeiro marcou 76 gols e sofreu 44.

