Técnico do Cruzeiro desde o dia quatro de fevereiro, Leonardo Jardim completou, neste domingo (23), na vitória por 3 a 0 diante do Corinthians, o seu jogo oficial número 50 no comando do time celeste. Com futebol objetivo e recuperação de jogadores desacreditados, o treinador foi fundamental na conquista do principal objetivo da temporada.
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Além da marca alcançada na 35ª rodada do Campeonato Brasileiro, os comandados de Jardim recolocaram o Cruzeiro no escalão mais alto do futebol sul-americano: a Copa Libertadores. Graças ao bom resultado no Mineirão, em Belo Horizonte, a Raposa garantiu a vaga direta na competição continental.
Os 50 duelos do português à frente do Cruzeiro mostram a mudança que o técnico causou no desempenho do time. Antes da chegada de Leonardo Jardim, o time celeste acumulava jogos ruins no Estadual e vivia uma fase de incertezas. Depois do período inicial de turbulência, a Raposa decolou: 25 vitórias, 16 empates e nove derrotas. Um aproveitamento de 60,6%.
O começo da ‘era Jardim’ no Cruzeiro
Em meio a saída de Fernando Diniz e sem treinador para a disputa do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro acumulou decepções. Com dificuldades para superar rivais de menor expressão, o time celeste conseguiu uma classificação ‘culposa’ para a fase final do Estadual. Na reta do ‘caos’, Leonardo Jardim estreou contra o Democrata-GV, na última rodada da competição.
O início com derrota (2 a 1) fora de casa e a eliminação nas semifinais para o América-MG indicava um cenário difícil para o restante do ano. Diante das críticas pelo alto investimento em um time que não correspondia, Jardim teve o que precisava: tempo para trabalhar. Foram 42 dias de treinamento e jogos amistosos para encontrar uma equipe ideal.
Gradualmente, o time ganhava forma e peças diferentes recebiam minutos. Mesmo com uma Copa Sul-Americana abaixo do esperado, o Cruzeiro teve um início promissor no Campeonato Brasileiro. Foi na terceira rodada, no empate em 1 a 1 com o São Paulo, que Jardim desenhou o time que colocou a Raposa nas ‘cabeças’ das competições.
4-2-3-1: o novo pilar de Leonardo Jardim
De uma igualdade no Morumbi, surgiu uma luz que funcionou no Cruzeiro. Sem Marlon, Kaiki assumiu de vez a titularidade pelo lado esquerdo. Antes escanteado, Villalba ganhou a vaga ao lado de Fabrício Bruno. Uma dupla de volantes entre Romero e Lucas Silva que uniu marcação intensa e saída de bola.
À frente no meio-campo, Wanderson, único pedido de Leonardo Jardim na primeira janela pelo Cruzeiro, foi o escolhido como meia pela esquerda. Como armador, Matheus Pereira recuperou o futebol de 2024, assim como Christian foi realocado para atuar na direita. Com confiança, Kaio Jorge ganhou a posição de Gabigol, principal contratação da temporada.
Assim, um time de jogadores entrosados e colaborativos, o Cruzeiro engatou 16 jogos de invencibilidade, assumiu momentaneamente a liderança do Campeonato Brasileiro e superou todas as expectativas do início de 2025.
Campanhas de Brasileirão e Copa do Brasil
O bom time do Cruzeiro surpreendeu: bateu protagonistas e brigou novamente pelo título do Brasileirão depois de 11 anos. Atual segundo melhor mandante, a equipe de Leonardo Jardim impôs força dentro do Mineirão e foi superado somente duas vezes em todo o campeonato até a 35ª rodada. No returno, até aqui, a Raposa segue com a invencibilidade em casa intocada.
Com a solidez da campanha, uma defesa que sofre poucos gols e um ataque efetivo em grande parte dos jogos, o Cruzeiro é o terceiro colocado na tabela do Campeonato Brasileiro. São 68 pontos em 35 partidas, número superior às últimas sete campanhas do time na Série A. Ainda, a Raposa está de volta à Libertadores após sete anos.
Leonardo Jardim ainda tem a chance de finalizar a temporada com chave de ouro: é semifinalista da Copa do Brasil, quando enfrenta justamente o Corinthians. Graças à campanha impecável no torneio em que é hexacampeão, sem perder e muito menos sofrer gols, o Cruzeiro vai em busca, nos dias 10 e 14 de dezembro, de chegar a sua nona final na história.
Um novo Cruzeiro fora das 4 linhas
Muito mais que somente resultado esportivo, o Cruzeiro de Leonardo Jardim é outro nos bastidores. Ao lado de Pedro Lourenço, o time celeste toma um novo pensamento para o futuro: a autossuficiência e profissionalização.
No mercado, a diretoria mudou a forma de pensar: o foco são jogadores jovens que tragam retorno em campo e fora dele. Para uma nova mentalidade, a principal contratação passou pelo scout. Joaquim Pinto, compatriota de Leonardo Jardim e com passagens por clubes europeus, assumiu a pasta e já introduziu uma nova cara à última janela de transferências.
Com indicações do novo chefe do scout celeste, chegaram o lateral Kauã Moraes (19 anos), o volante Ryan Guilherme, e os atacantes Keny Arroyo (19 anos) e Luis Sinisterra (26 anos).
Ainda mais, o time celeste passou a figurar com olheiros em competições de base e cada vez mais fazer presença na observação de jovens jogadores de grande potencial. Um deles, já chegará em dezembro desse ano: Néiser Villareal, atacante do Milionários e artilheiro do Mundial Sub-20 defendendo a Seleção Colombiana.
Próximos jogos do Cruzeiro
Restando apenas três jogos para o fim do Brasileirão, o Cruzeiro segue de olho na parte de cima da tabela. Com chances remotas de título, o time celeste tentará ainda alçar um voo mais alto na tabela: a vice-colocação.
Para isso, a Raposa ainda terá pela frente o Ceará na Arena Castelão, o Botafogo em casa, e fecha a participação pela Série A 2025 diante do Santos, também no Mineirão.

