Em fevereiro de 2011, o Cruzeiro estreou na Copa Libertadores com uma goleada diante do Estudiantes, da Argentina, por 5 a 0, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Segundo Walter Montillo, ex-camisa 10 do time celeste, o técnico Cuca preparou uma ação inusitada antes da partida.
O duelo marcou o reencontro das equipes após a disputa da final do torneio, em 2009, vencida pelo Estudiantes. Na ocasião, Montillo e Wallyson marcaram dois gols, enquanto Roger fechou a goleada.
Em entrevista à Samuca TV, nesta segunda-feira (24), Montillo afirmou que a atmosfera criada pela torcida na semana do jogo foi importantíssima para o bom rendimento do Cruzeiro.
“Acho que a atmosfera da torcida. A cada dia que a gente saía na rua, a torcida falava que tinha que ganhar, que era uma final. Você vai colocando dentro da sua mente que é um jogo especial”, disse.
No complemento da resposta, Montillo relembrou que Cuca decidiu que os jogadores brincariam de paintball na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte, horas antes de enfrentar o Estudiantes.
A estratégia tinha o objetivo de “tirar o peso” dos atletas, já que os argentinos carregavam o histórico de ter vencido a Libertadores dois anos antes.
“O Cuca foi muito inteligente. Na concentração, ele não incomodava, deixava dormir e descansar. Nesse dia, acordamos cedo para jogar paintball na Toca. lembro que falei: ‘Esse cara está louco’. Quando passa o tempo e analisa as coisas de outro jeito, era para tirar o jogo um pouco da cabeça e colocar os pés no chão. eu achei que ele estava louco, mas deu muito certo”
Walter Montillo, ex-Cruzeiro, sobre estratégia de Cuca contra o Estudiantes
Cruzeiro podia ter sido campeão?
Ainda sobre a Libertadores daquele ano, Montillo destacou que o Cruzeiro tinha todos os requisitos para ser campeão. No entanto, depois de ter feito a melhor campanha da fase de grupos, a Raposa foi eliminada pelo Once Caldas, da Colômbia, nas oitavas de final.
De acordo com Montillo, várias situações contribuíram para a eliminação inesperada do Cruzeiro contra os colombianos.
“Naquela época, o Wallyson tinha machucado, o Thiago Ribeiro também. Chegaram jogadores que demoraram um pouquinho para entrar no ritmo. Mas a gente tinha ganhado na Colômbia. Quando você chega em casa, acontece de o Roger ter sido expulso aos 15’ do primeiro tempo. Era para acontecer. Fiquei com raiva, porque o time estava bem e ganhava de todo mundo”, ressaltou o argentino.
“Mas, às vezes, quando o primeiro joga contra o último, acontecem essas coisas. A vida é assim. Tentamos fazer o melhor, não deu, aí veio a reconstrução do time depois”, encerrou Montillo.
Números pelo Cruzeiro
Ao todo, de 2010 a 2012, Montillo marcou 36 gols em 119 partidas pelo Cruzeiro. Com a camisa celeste, ele foi campeão mineiro (2011) e vice-campeão do Brasileirão (2010).

