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‘Comecei a fazer conta e parei’, diz Pedrinho sobre ‘ajudas’ ao Cruzeiro

Dono da SAF do Cruzeiro, Pedrinho foi um dos responsáveis por manter a saúde financeira do clube na última década

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Pedro Lourenço foi muito presente na vida do Cruzeiro desde antes de se tornar dono da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube celeste, em 29 de abril do ano passado. O empresário do ramo varejista foi um dos responsáveis por manter a saúde financeira do clube na última década.

Em entrevista exclusiva ao Central da Toca/Samuca TV, Pedrinho afirmou que parou de fazer as contas de quanto já investiu no Cruzeiro. Através de empréstimos e investimentos, o dirigente contribuiu com diversas diretorias da Raposa e se manteve presente mesmo após a venda de 90% das ações da SAF para o grupo gerido por Ronaldo Fenômeno. 

“Eu comecei a fazer as contas e parei (risos). Falei, ‘nó, é isso mesmo?’. Aí eu falei que não ia tocar nesse assunto mais não. Acabou que as contas agora ficaram todas para eu pagar”.

Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro

Para Pedro, o ponto principal durante esse período de ‘socorros’ ao Cruzeiro foi a falta de comprometimento dos outros empresários que estavam ligados ao clube no dia a dia. De acordo com o atual gestor, no fim, as contas só sobravam para a família Lourenço.

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“O que acontece é o seguinte, não é fazendo comparação com outros clubes, mas a diferença para o Pedro, do Cruzeiro, é única. Nós temos grandes cruzeirenses aqui que vocês todos conhecem, mas nunca colocaram um tostão no Cruzeiro. Sobrava só para mim”, disse.

“Eu sempre fiz isso, nunca para ter o Cruzeiro, vocês sabem que eu tive a oportunidade de ser o presidente, mas nunca quis isso. Quando eu quis ser, eles não deixaram. Tem muita gente que coloca dinheiro e depois pega o clube para ele. Eu não. O dinheiro que eu ajudei o Cruzeiro fiz muita coisa, tipo propagandas. Nunca foi com interesse de lucrar, completou.

Em 2021, quando o Cruzeiro atravessava a maior crise financeira de sua história, Pedrinho fez aportes importantes para colocar em dia parte dos salários de jogadores e funcionários da Toca da Raposa II. Ele colaborou em duas ocasiões naquele ano.

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Na primeira, liberou mais R$ 8 milhões, tendo como contrapartida a extensão do contrato de patrocínio master até 2023. Na segunda, aportou R$ 9 milhões, recebendo em troca o aluguel da sede administrativa do Barro Preto até 2031.

O empresário também teve participação relevante em vários outros momentos de crise do clube, sempre ajudando financeiramente.

Pedrinho também ajudou Cruzeiro na compra de jogadores

Além de ajudar o Cruzeiro a quitar dívidas, Pedro Lourenço já viabilizou contratações de vários jogadores. Em 2015, ele emprestou R$ 6 milhões ao clube para adquirir o meia Arrascaeta, que pertencia ao Defensor, do Uruguai.

Lourenço também explicou ao Central da Toca/Samuca TV o caso envolvendo Arrascaeta. Segundo o dirigente, o Cruzeiro vendeu 75% dos direitos econômicos do jogador para o Flamengo sem o consultar. Na ocasião, a operação que girou em torno de 18 milhões de euros (R$ 76,5 milhões, na cotação da época) foi conduzida por Itair Machado.

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Do montante total, o Cruzeiro embolsou 13 milhões de euros (R$ 55,2 milhões, na cotação da época), já que detinha 50% em parceria com os Supermercados BH. Os outros 25% custaram 5 milhões de euros (R$ 21,2 milhões, na cotação da época) e correspondiam à fatia do Defensor.

“O do Arrascaeta foi um caso que eu comprei e paguei. No dia que vendeu, nem fui consultado. Aí fui lá e bloqueei o dinheiro no Flamengo. O diretor, que não vou citar o nome, mas todo mundo sabe, foi lá e disse que eu ia prejudicar o Cruzeiro. Aí eu falei para a gente corrigir o meu dinheiro, tendo 5% ao ano”, revelou.

“Mas não me arrependo de nada que eu fiz, sempre pensando na torcida do Cruzeiro. O que me aborrecia muito era que você fazia as coisas e depois não era valorizado”.

Pedrinho, dono da SAF do Cruzeiro

Pedrinho não se sentia valorizado

Por fim, Pedrinho contou que não se sentiu valorizado por gestões que passaram pelo Cruzeiro. O esforço financeiro feito por ele ficou no esquecimento. No entanto, a situação mudou com a chegada de Ronaldo.

“Eu te falo que a primeira vez que entrei no Mineirão em um jogo de futebol foi com o Ronaldo, quando o Cruzeiro foi campeão da Série B. Nenhum presidente nunca tinha me convidado para viajar nem para fora do Brasil e nem aqui no Brasil quando disputava um título. Mas quando a barriga doía, batiam na minha porta”, se queixou.

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“Nunca fui convidado para isso, mas também não sei se eu iria. O Ronaldo sempre me valorizou e eu sempre ajudei ele desde o primeiro dia. É um cara que eu respeito muito e tenho um carinho muito grande por ele”, finalizou. 

Lourenço e Ronaldo formaram grande parceria no Cruzeiro. O empresário também o ajudou a manter a SAF celeste saudável.

Em março de 2023, Pedrinho emprestou R$ 100 milhões à SAF comandada por Ronaldo em uma operação conhecida como debênture conversível. Dessa forma, o empresário passou a ter como garantia de pagamento 20% das ações do clube-empresa.

A entrevista de Pedrinho

Pedro Lourenço atendeu à reportagem da Samuca TV e do Central da Toca na última sexta-feira (24), na Toca da Raposa II.

O encontro, portanto, aconteceu antes do empate da Raposa por 1 a 1 com o Betim, no Mineirão, pela 3ª rodada do Campeonato Mineiro.

Entre outros assuntos, foram abordados temas como vida pessoal do empresário, mercado da bola, categorias de base, futebol feminino, relação com entidades, marketing e Mineirão. Além dos recortes, a entrevista na íntegra será publicada na tarde desta terça-feira (28) no Central da Toca e na Samuca TV.

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Luiz Henrique Campos é repórter do Central da Toca. Realizou também a cobertura do Cruzeiro em Estado de Minas, Superesportes e No Ataque por quatro anos.
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