Chefe do núcleo de performance do Cruzeiro, Omar Feitosa fez uma análise sobre a passagem de Fernando Diniz no clube do ponto de vista da preparação física. O profissional da área da saúde ressaltou algumas especificidades do trabalho do treinador de 50 anos em relação a Fernando Seabra, antecessor, e Leonardo Jardim, sucessor.
Em entrevista ao Central da Toca, Omar fez questão de deixar claro que não existe uma preparação física considerada “correta”. Isso porque muitos torcedores cruzeirenses chegaram a especular nas redes sociais que Diniz levava os jogadores à exaustão com os treinos diários.
“Não tem a preparação física errada e a certa. O Diniz tinha dois profissionais que trabalhavam com ele muito competentes. O preparador físico era o Wagner Bertelli. O que acontece, e daí voltando à questão da comissão técnica fixa, é que as metodologias mudam. E muda a metodologia, o controle de carga muda”, iniciou.
Feitosa citou algumas diferenças de metodologias entre Seabra, Diniz e Jardim. O principal apontamento é para as métricas geradas a partir dos resultados físicos dos atletas.
“O Seabra queria olhar alguns dados, métricas e variáveis na fisiologia. O Diniz, o Bertelli e o Eduardo, que é o assistente técnico do Diniz, olhavam de uma outra maneira as métricas. E agora, com a chegada do mister (Leonardo Jardim), a comissão técnica dele, com o José Barros, o António Vieira e o Diogo, análise de desempenho, eles olham as métricas de maneira diferente”, explicou.
“Então não dá para dizer que existe uma preparação física certa ou errada. Existem metodologias diferentes. O time treinou bem, dentro daquilo que o Diniz queria de desempenho e da maneira que ele gostaria que o time jogasse. o time estava bem preparado”
Omar Feitosa, chefe do núcleo de performance do Cruzeiro
Preparação feita por Diniz contribuiu para Jardim
Ainda de acordo com Feitosa, parte da preparação desenvolvida por Diniz ajudou o trabalho de Jardim nesse primeiro mês na Toca da Raposa II. O técnico português teve, praticamente, uma nova pré-temporada à disposição devido à eliminação precoce do Cruzeiro no Campeonato Mineiro.
O Cruzeiro faz uma ‘intertemporada’ no CT desde o dia 22 de fevereiro. Desde então, já enfrentou o time sub-20 e o Boston City em jogos-treino para manter o ritmo.
“Essa preparação, de certa maneira, repercute bem neste momento e eu diria até que casou bem com a chegada do mister, da maneira que ele trabalha. Então não houve uma preparação ruim. A preparação foi boa, foi bem feita, nós fizemos bons jogos amistosos, tivemos um bom desempenho contra o Atlético-MG, tivemos um bom desempenho contra o São Paulo”, avaliou.
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A equipe mineira ainda fará mais dois jogos-treino e um amistoso até a estreia no Campeonato Brasileiro diante do Mirassol, em 29 de março, às 18h30, no Mineirão, em BH.
O primeiro desafio será neste sábado (15), às 17h, contra o Botafogo, no Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Depois, o Cruzeiro recebe o Pouso Alegre, na Toca II, na terça-feira (18), pela manhã.
Já a partida amistosa, que encerrará os testes, será contra o Red Bull Bragantino. Os times se enfrentarão em 22 de março, às 18h30, no Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista.
Saída de Diniz do Cruzeiro
Diniz foi o primeiro treinador contratado pelo Cruzeiro na gestão de Pedrinho, que começou no fim de abril de 2024. Ele foi anunciado em setembro do mesmo ano para substituir Fernando Seabra.
No entanto, após um início de temporada ruim em 2025, acabou demitido. Durante sua passagem, esteve à frente do time celeste em 18 partidas oficiais – quatro vitórias, sete empates e sete derrotas.
O primeiro jogo de Diniz no comando do Cruzeiro foi no empate por 1 a 1 com o Libertad, do Paraguai, no Mineirão, pela volta das quartas de final da Copa Sul-Americana, em 26 de setembro.
Depois disso, teve mais 17 partidas no cargo – todas com resultados ‘magros’.

