Cercado de boas expectativas em sua passagem pelo Cruzeiro, o técnico Tite amargou o gosto da derrota em sua estreia na noite deste sábado (10), no duelo com o Pouso Alegre, pelo Campeonato Mineiro. Ao longo da partida, no Mineirão, em Belo Horizonte, o experiente treinador, de 64 anos, alternou momentos de tranquilidade e tensão. Os visitantes triunfaram por 2 a 1.
Para ilustrar os comportamentos de Tite, a reportagem do Central da Toca observou as reações do novo técnico do Cruzeiro no decorrer de todo o confronto.
Com um semblante mais fechado, Tite iniciou a partida com os braços cruzados para fazer a leitura do jogo. Essa postura se manteve até os cinco minutos do primeiro tempo, quando o Cruzeiro sofreu o gol. De imediato, o treinador tentou incentivar os atletas e aplaudiu a equipe.
Com a desvantagem no placar, Tite passou a demonstrar um ligeiro nervosismo, com mais gestos e pedidos individuais, especialmente para Kauã Moraes. O técnico solicitou mais de uma vez para o camisa 2 se posicionar bem próximo à linha lateral do ataque cruzeirense.
No primeiro tempo, Tite conversou com Matheus Bachi, seu filho e auxiliar técnico do Cruzeiro, três vezes dentro dos 15 minutos iniciais. Aos 17’, o volante Matheus Henrique sentiu um problema físico e foi substituído pelo garoto Murilo Rhikman, o que interrompeu a partida por algum tempo.
Nesse período, o comandante da Raposa deu instrução generalizada ao time e, na sequência, conversou rapidamente com o volante Ryan Guilherme, assim como Matheus Bachi. O gestual foi para compactar mais o meio-campo e ceder menos espaços ao Pouso Alegre, relativamente confortável no jogo com o 1 a 0 no placar.

O lance no primeiro tempo que gerou maior entusiasmo de Tite saiu aos 23 minutos. Na ocasião, o ponta Kaique Kenji recebeu passe pela esquerda, fez bela jogada individual e tocou dentro da área para Rayan Lelis. O outro atacante do Cruzeiro finalizou com força, o goleiro Anderson defendeu e, na sobra, Kauã Moraes quase empatou o duelo. Tite aplaudiu e pediu mais avanços pelos lados do campo.
Aos 25’ da etapa inicial, Tite aproveitou um tiro de meta do Pouso Alegre para passar uma instrução rápida ao volante Japa. Essa foi uma tônica do técnico do Cruzeiro para os novos comandados ao longo da primeira parcial no Mineirão.
Novamente com Rayan Lelis, aos 38 minutos de jogo, Tite aprovou uma investida do atacante do Cruzeiro. O camisa 57 pegou a bola na entrada da área e, mesmo marcado, arriscou um chute com a perna esquerda. O goleiro Anderson, do Pouso Alegre, se esforçou e evitou o gol cruzeirense.
Já aos 43’, na tentativa de encontrar soluções para a virada do Cruzeiro, o auxiliar técnico fixo Wesley Carvalho se aproximou de Tite e conversou por cerca de dois minutos com Tite. Ambos gesticularam em direção ao centro do campo e demonstraram certa preocupação com o cenário apresentado no jogo.
As reações na etapa final
Aparentemente tranquilo na volta do intervalo, Tite retornou ao gramado de braços cruzados e observou a partida com essa postura novamente até o segundo gol do Pouso Alegre.
Da mesma forma, o técnico do Tite reagiu ao segundo tento do adversário com palavras e palmas para incentivar a equipe, formada de forma expressiva por garotos.

Um detalhe curioso é que Tite permaneceu em pé durante os 90 minutos na estreia pelo Cruzeiro. Nos tempos em que comandou o Flamengo, por exemplo, o técnico alegou fortes dores no joelho, problema que o atrapalhava não somente a ficar à beira da área técnica, como também em alguns treinamentos.
Aos 49 minutos do segundo tempo, o Cruzeiro descontou com gol de Kauã Prates, de cabeça. Tite celebrou pela primeira vez com os novos comandados e demonstrou esperança no empate.
Apesar da derrota e do sabor amargo pelo resultado, Tite aplaudiu os jogadores do Cruzeiro depois do apito final e aguardou até o último segundo de uma checagem do VAR – por possível pênalti – para deixar o gramado.

