Recheada de momentos surpreendentes, o Cruzeiro encerrou a campanha no Campeonato Brasileiro diante do Santos, na tarde deste domingo (7), na Vila Belmiro. Superando todas as expectativas, os comandados do técnico Leonardo Jardim retornaram à Copa Libertadores após seis anos, brigaram até as últimas rodadas pelo título e protagonizaram a sua 3ª melhor campanha desde 2006.
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O primeiro turno foi arrasador: o time celeste bateu todos os adversários da parte de cima da tabela. Desde Flamengo, Palmeiras, Botafogo, Fluminense e Mirassol, o Cruzeiro conquistou grandes vitórias e chegou a liderar o Campeonato Brasileiro após o Super Mundial de Clubes de forma incontestável.
A oscilação inevitável veio na segunda metade da competição: o Cruzeiro desperdiçou pontos contra equipes que lutavam contra o rebaixamento e sofreu com uma sequência de problemas físicos. Com elenco reduzido e o desgaste de titulares aparecendo, o time caiu de rendimento, mas se manteve na parte de cima da tabela.
No fim das contas, com pequenas intercorrências, o Cruzeiro terminou na terceira colocação, melhor posição no Campeonato Brasileiro nos últimos 11 anos, com 71 pontos somados em 38 rodadas.
O ‘clique’ que mudou o Cruzeiro
Recheado de contratações de grife no início da temporada, o Cruzeiro chegou no Campeonato Brasileiro depois de uma eliminação vexatória na semifinal do Mineiro. Com tempo para trabalhar, o técnico Leonardo Jardim promoveu amistosos e jogos-treino em busca de uma equipe preparada para a disputa da Série A.
Mesmo com a vitória na estreia contra o Mirassol, o time sofreu uma derrota dura para o Internacional na rodada seguinte. Sem um encaixe e com dificuldades de impor um bom futebol, tudo mudou na terceira rodada. Jardim sacou as principais estrelas do time e escalou uma equipe diferente: Cássio; Fagner, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki; Romero, Lucas Silva, Matheus Pereira e Christian; Wanderson e Kaio Jorge.
O empate por 1 a 1 contra o São Paulo dentro do Morumbi deu um ‘clique’ na cabeça de Leonardo Jardim e do torcedor. Pela primeira vez, o Cruzeiro competiu e mostrou uma nova característica: a pressão pós-perda da posse e a efetividade, marcas que seguiram com a Raposa durante todo o Brasileirão.

Grandes vitórias e briga pelo título
A partir do empate em São Paulo, o Cruzeiro começou a grande trajetória no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Com grandes vitórias contra as principais equipes da Série A, o time sufocava os adversários, aproveitava as chances que tinha e contou com uma defesa difícil de furar.
Impondo um futebol focado na verticalidade, tudo começou contra o Bahia. Dentro do Mineirão, na quarta rodada da competição, o Cruzeiro venceu por 3 a 0. Em seguida, na rodada sete, novamente no Gigante da Pampulha, a Raposa bateu o Flamengo com um gol nos últimos minutos marcado por Gabigol.
Protagonista e artilheiro do time na competição, Kaio Jorge brilhou nos grandes jogos do Cruzeiro no Brasileirão. No 4 a 0 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, marcou um e deu outra assistência para Matheus Pereira. Contra o Palmeiras, na 11ª rodada, marcou dois gols relâmpago e foi fundamental na vitória por 2 a 1.
Logo depois, ainda na primeira parte da competição, o Cruzeiro se colocou de vez na briga pelo título: ganhou de Botafogo e Fluminense, por 2 a 0, no Rio de Janeiro, e goleou o Grêmio por 4 a 1, além do Juventude por 4 a 0, ambos em Belo Horizonte. O time terminou como líder na 14ª rodada diante do Tricolor Carioca, no Maracanã.

Pontos desperdiçados
Apesar da enorme campanha, maior dos últimos 11 anos, o Cruzeiro, de fato, perdeu pontos importantes para equipes da parte de baixo da tabela. No primeiro turno, dentro do Mineirão, na 17ª e 19ª rodada do Brasileirão, os comandados de Leonardo Jardim perderam por 2 a 1 e se distanciaram de Flamengo e Palmeiras na classificação.
Diante do problema, a Raposa seguiu forte na segunda metade do campeonato e engatou uma boa sequência de vitórias na 21ª até a 24ª rodada. No jogo seguinte, foi até São Januário, e não conseguiu superar o Vasco no Rio de Janeiro.
Na sequência, o Cruzeiro teve dificuldades contra times que exigiram que o time celeste tomasse as rédeas da partida. Com alta posse de bola e criando chances para marcar, a Raposa ficou em um empate com o lanterna do campeonato e hoje, rebaixado, Sport.
A realidade é que o time evoluiu depois do resultado ruim em Belo Horizonte. Venceu Fortaleza e Vitória, mas voltou a perder pontos em um momento vital da temporada: a chance de se reaproximar do Flamengo, líder do campeonato. Fora de casa, empatou por 3 a 3 com o Juventude, e por 1 a 1 com o Ceará.

De volta à Libertadores
Diante de um campeonato sólido, o Cruzeiro garantiu o objetivo da temporada com cinco rodadas de antecedência. No empate sem gols com o Fluminense no Mineirão, o time celeste retornou à competição continental após sete anos. A última participação aconteceu em 2019, ano do fatídico rebaixamento à Série B.
Classificado às preliminares, o time comandado por Leonardo Jardim conquistou a vaga direta duas rodadas depois, no 3 a 0 sobre o Corinthians no Gigante da Pampulha.
O Cruzeiro conhecerá seus primeiros adversários em sorteio marcado para 18 de março, na sede da Conmebol, em Luque, no Paraguai. A fase de grupos está prevista para iniciar em 8 de abril.

Os números da campanha do Cruzeiro no Brasileirão
- 3º colocado, com 70 pontos
- 19 vitórias, 13 empates e seis derrotas
- 3ª melhor campanha na era dos pontos corridos com 20 clubes
- 4º melhor ataque (55 gols marcados)
- 2ª melhor defesa (31 gols sofridos)
- Maior sequência invicta do Brasileirão ao lado do Flamengo (12 jogos)
- 4º melhor mandante
- 3º melhor visitante
- Artilheiro do Campeonato após 55 anos (Kaio Jorge – 21 gols)
- Menor número de derrotas, ao lado de 2013, desde 2003 (6 derrotas)
- Aproveitamento de 61,40%

