Ex-meio-campista do Cruzeiro, Robinho relembrou um episódio marcante com o goleiro Fábio, na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte. Em participação no Charla Podcast, o jogador de 37 anos classificou o ídolo celeste como um dos três melhores atletas com quem já atuou na carreira.
Ao explicar o motivo de ter colocado Fábio em seu Top 3, atrás apenas de Neymar e Alex, Robinho contou um bastidor de um treinamento no CT do Cruzeiro. A história recordada pelo volante do Brusque ocorreu no início de 2017, quando o arqueiro vivia a incerteza de voltar ao time titular de Mano Menezes após cirurgia no joelho direito.
“Pelo dia a dia, não só pelos jogos. Porque no jogo todo mundo vê e você sabe que o Fábio é um craque. Mas o que ele faz no dia a dia é o que te torna fã do cara. Ele faz ele ser ídolo de jogador, de torcida é normal, mas de jogador que joga junto é diferente. O profissionalismo, o trabalho do cara”, explicou a escolha.
Fábio rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito no empate por 2 a 2 com o Coritiba, pelo Brasileirão, e passou por cirurgia em 21 de agosto de 2016. Ele ficou afastado dos gramados por seis meses até retornar no fim de fevereiro.
Na ocasião, o goleiro Rafael, que foi reserva de Fábio durante grande parte da carreira, vivia grande momento no gol celeste. A ‘dor de cabeça’ em escolher o titular na posição ficou para Mano Menezes.
Fábio pegou tudo em treino do Cruzeiro
Robinho disse que foi em meio à desconfiança da torcida e da imprensa sobre a volta ao time que Fábio teve um dia iluminado no treino. Ele defendeu todos os chutes no trabalho de finalização da equipe, o que deixou todos os jogadores incrédulos.
“Quando ele rompeu o ligamento do joelho em 2016, ele voltou muito rápido. E o Rafael pegou demais. Nós fomos para a semifinal da Copa do Brasil e perdemos para o Grêmio, que foi campeão. Rafael começou o Estadual de 2017 pegando demais, e o Fábio voltou. Aí começou a resenha: ‘Fábio vai sair, Rafael tomou o lugar dele. O Cruzeiro não precisa mais do Fábio, que já está mais velho'”, relembrou.
“O Fábio começou no banco, quietinho. Em um dia lá, em um treino de finalização, aí o Fábio fez assim: ‘É, vou mostrar para vocês um goleiro mesmo'”, contou.
“Gente, vocês não acreditam o que esse cara fez no treino. Ninguém fazia gol”
Robinho, ex-meia do Cruzeiro
“Era treino de finalização, você tocava, o cara escorava ali da meia-lua e você chutava. Ele não tomava gol. Era um absurdo. Era eu, Arrascaeta, Thiago Neves, Alisson, Rafinha e Sobis, e ele pegando tudo”, completou.
Robinho também revelou a reação de Mano Menezes. De acordo com o meio-campista, o então treinador da Raposa brincou sobre a situação dizendo que teria que voltar com Fábio ao time desse jeito.
“(Nesse dia) o Mano chegou perto de nós e falou assim: ‘Vocês estão de sacanagem. Desse jeito vou ter que por o cara para jogar. Vocês não vão fazer nenhum gol não? Até pelo menos para eu ter um desculpinha de deixar ele no banco’ (risos)”, brincou.
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“Ele não tomou gol. E eram milagres mesmo. Era aquela bola que você chutava e falava tchau, aí ele ia lá e defendia”, finalizou.
Fábio voltou a ser titular na vitória do Cruzeiro por 2 a 0 sobre o Democrata-GV, no Mineirão, em 9 de abril de 2017, pela 11ª rodada do Campeonato Mineiro.
Robinho pelo Cruzeiro

Robinho disputou 180 partidas pelo Cruzeiro, marcou 25 gols e deu 32 assistências. Um de seus momentos mais marcantes foi na final da Copa do Brasil de 2018, quando abriu o placar para a vitória sobre o Corinthians, por 2 a 1, na Arena Corinthians, em São Paulo.
Ao mesmo tempo em que se mostrou importante dentro de campo, enfrentou problemas de lesão em sua passagem pela Toca. O camisa 19 ganhou duas edições da Copa do Brasil, em 2017 e 2018, e duas do Campeonato Mineiro, em 2018 e 2019.
O volante deixou o Cruzeiro em 5 de junho de 2020, após ter o contrato rescindido pela administração de Sérgio Santos Rodrigues. À época, o então presidente alegou que a decisão foi exclusivamente por aspectos financeiros em meio ao momento de maior crise da Raposa.
Dias depois, Robinho entrou com uma ação na Justiça do Trabalho, que fixou em mais de R$ 4 milhões os débitos dos mineiros com o jogador. A reclamação inicial era de mais de R$ 19 milhões.

