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PF investiga Cruzeiro por suposta lavagem de dinheiro em 2021, diz revista

PF investiga transações suspeitas feitas entre o clube e o empresário William Agati, agente do atacante Diogo Vitor; gestão do Cruzeiro da época afirma se tratar de um empréstimo, quitado no início de 2023

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A Polícia Federal (PF) investiga o Cruzeiro por suposta lavagem de R$ 3 milhões do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2021, segundo matéria publicada pela Piauí nessa quinta-feira (13).

+ Leia também: Atacantes do Cruzeiro podem quebrar tabu importante na reta final do Mineiro

De acordo com a revista, essa movimentação financeira suspeita envolve o empresário William Barile Agati, responsável pelo agenciamento da carreira de Diogo Vitor. Na gestão do ex-presidente Sérgio Santos Rodrigues, o atacante foi contratado pelo Cruzeiro naquele ano, mas não entrou em campo em nenhuma ocasião.

Em 2018, quando jogava pelo Santos, Diogo Vitor, hoje com 28 anos, foi flagrado pelo exame antidoping por uso de cocaína.

Por esse motivo, o atacante foi impedido de atuar profissionalmente por um ano e meio e, nesse período, não recebeu salários do Peixe. O vínculo durou até o início de 2020, quando o Santos rescindiu o contrato do atleta.

Movimentação suspeita

Conforme publicado pela Piauí, de forma inusitada, a F1rst Agência de Viagens e Turismo, empresa de William Agati, transferiu R$ 3 milhões ao Cruzeiro em algumas parcelas entre 11 de fevereiro e 16 de março de 2021.

Segundo as investigações da Polícia Federal (PF), depois de três dias da última transferência da empresa ao clube, o Cruzeiro devolveu R$ 1,58 milhão para a conta pessoal de William Agati e para a Burj Motors, outra instituição que pertence ao agente.

Na matéria, a Piauí informa que o Ministério Público Federal (MPF) concluiu que o objetivo do empresário “não era lucrar, mas lavar parte do dinheiro que amealhou com o comércio de cocaína”.

“Afinal, sua empresa recebeu 1,5 milhão em uma transação simulada e ainda ficou com um ‘crédito’ de igual valor, para transações futuras, com outros atletas”, completou a Piauí.

A gestão da época alega que o “valor devolvido”, na realidade, foi o pagamento de um empréstimo feito por Agati ao Cruzeiro (leia mais abaixo, em “outro lado”).

Envolvimento com o PCC

Por fim, a Piauí afirmou que William Agati tem “vínculos estreitos” com o PCC e “traficou cerca de duas toneladas de cocaína para o Sul da Espanha”. Isso teria acontecido entre 2019 e 2021.

Outro lado

Procurado pelo Central da Toca, o Cruzeiro afirmou que a atual gestão, por ter assumido o controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 2024, não tem conhecimento sobre o assunto. No entanto, se necessário, o clube está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

A reportagem também procurou Sérgio Santos Rodrigues, presidente do Cruzeiro no período citado pela Piauí.

À Piauí, ele afirmou que Diogo Vitor foi cedido sem custos ao Cruzeiro. Sérgio Rodrigues também disse que as transferências bancárias entre o clube e o empresário se devem a um contrato de empréstimo feito por Agati ao Cruzeiro, mas sem relação com Diogo Vitor.

“Não houve compra de passe [do atacante], não. Foi pedido uma oportunidade para o Diogo tentar voltar a jogar”, avaliou o ex-presidente do Cruzeiro à Piauí.

Por fim, Sérgio Santos Rodrigues também ponderou que todo o valor emprestado ao empresário William Agati foi quitado.

Após a publicação da reportagem, pessoas ligadas ao ex-presidente enviaram à reportagem do Central da Toca comprovantes fiscais que atestam o pagamento dos valores a Agatti. O empréstimo foi totalmente quitado em abril de 2023, já sob a gestão de Ronaldo Fenômeno na SAF do Cruzeiro.

Cruzeiro Associação

Por meio de nota, divulgada no fim da manhã desta sexta (14), o Cruzeiro Associação descartou a lavagem de dinheiro e afirmou que as movimentações financeiras foram empréstimos feitos por Agati. Segundo o clube, os valores corretos até superiores aos inicialmente divulgados, sendo R$ 5 milhões e não R$ 3 milhões.

Na nota, o Cruzeiro Associação destacou ter herdado uma “má gestão por décadas” e que os empréstimos não tiveram qualquer relação com a contratação de Diogo Vitor. O jogador, inclusive, foi anunciado no fim do ano, meses depois das transações bancárias entre o clube e o agente do atleta.

Veja nota do Cruzeiro Associação na íntegra:

Sobre a matéria ‘Cruzeiro lavou 3 milhões de reais do PCC na compra de atacante, diz PF’, divulgada originalmente pela Piauí e posteriormente replicada por diversos veículos, O Cruzeiro Associação traz importantes esclarecimentos que foram oferecidos e não constaram por completo na publicação que são fundamentais:

O empréstimo de fato existiu e foi exatamente desta forma registrado em todos os documentos contábeis e financeiros do Cruzeiro em 2021. O contrato registrou o valor de cinco milhões de reais, e não três milhões como citado na matéria. Todas as transações desta operação foram feitas de forma eletrônica, logo, facilmente identificadas por instituições bancárias ou até mesmo pela Polícia Federal, assim como adequadamente registradas em nossos Balanços. Além disso, pagamentos iniciais foram feitos por seus juros (0,8% ao mês), sendo que sequer chegaram ao valor incorretamente citado na matéria. O contrato foi liquidado por completo já pela gestão da SAF em maio de 2023.

Infelizmente para o Futebol brasileiro, tornou-se comum nos últimos anos que clubes de futebol, com heranças de má gestão por décadas, passassem a recorrer à empréstimos para viabilidade de seu fluxo de caixa. Tais créditos passaram a ocorrer também com intermediários e empresários do futebol. São inúmeros clubes do Brasil que praticaram – ou ainda o praticam- tal modalidade diretamente com os intermediários, profissionais que não deixam de ter sua função original de negociar seus jogadores empresariados com os clubes.

Foi exatamente o que ocorreu no caso em questão. O fato de o Cruzeiro ter recorrido à William Barile Agati como alguém que emprestou ao clube o valor citado, não impedia o clube de negociar com ele jogadores que representava, como no caso em questão, Diogo Vitor. O jogador chegou ao clube sem custos e como uma boa oportunidade de mercado, considerado o baixo valor salarial, sua capacidade técnica e potencial de crescimento – que infelizmente não se confirmou- e passagens por Santos e Corinthians.

Em momento algum as duas negociações se cruzaram. O empréstimo foi uma operação e a contratação foi absolutamente outra. As datas e bases de ambas deixam isso perfeitamente claro: a operação financeira se deu em janeiro e contrato com jogador apenas se deu em agosto de 2021.

Até o presente momento a Polícia Federal não nos pediu quaisquer esclarecimentos por essas operações. Tão logo isso ocorra, se ocorrer, toda a farta documentação e comprovantes existentes serão disponibilizados porque, reiteramos, nada foi feito fora do previsto pela legislação e pela legalidade. A respeitada instituição facilmente identificará a entrada e a saída dos recursos, reiteramos, lastreados em contrato e registrados em Balanço. Insinuar que uma operação de lavagem de dinheiro tenha todas suas
movimentações registradas contabilmente e comprovações por documentos de transações eletrônicas, como faz a matéria, alcança o absurdo.

Por fim, mas não menos importante: o intervalo de tempo entre o pedido de resposta para a matéria e sua publicação foi ínfimo. Impossível que tenha sido escrita, ao menos em relação que cabe ao Cruzeiro, com profunda análise de tudo que foi exposto ou mesmo documentos que foram colocados à disposição do jornalista. Todos os documentos e comprovantes que comprovam detalhadamente o acima exposto estão e estarão à disposição das autoridades competentes, assim como daqueles que estejam dispostos a
escrever matérias que realmente reproduzam a verdade dos fatos.

O Cruzeiro Associação segue inteiramente disponível para qualquer esclarecimento que seja necessário”.

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Leonardo Gimenez
Leonardo Garcia Gimenez é repórter do Central da Toca e jornalista formado pelo UniBH. Com foco em futebol e vôlei, fez a cobertura do Cruzeiro no esporte digital da Itatiaia entre 2022 e 2025. Antes, trabalhou na Record TV.
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