O técnico Leonardo Jardim se emocionou, na tarde desta segunda-feira (15), na coletiva de despedida do Cruzeiro. Na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte, o português foi às lágrimas ao relembrar a trajetória vivida no clube e justificou a saída para 2026.
Inicialmente, Jardim ressaltou motivos familiares para deixar o Cruzeiro. O treinador relembrou o duro processo de acompanhamento da esposa para tratamentos hospitalares, além do máximo esforço dentro de campo.
“Esses momentos nunca são fáceis, mas temos que ser racionais. Em fevereiro, quando vim para o Cruzeiro, passei 45 dias entre viagens, hospital com a minha esposa e sem tempo para nada. Dois dias depois que ela saiu do hospital, vim para o Cruzeiro com a energia que vocês conhecem. Quando entro em um projeto, é para dar o meu melhor. Nunca entrei em um projeto só para receber o salário”, disse.
Na sequência, Jardim afirmou que, quando assinou o contrato com o Cruzeiro, existiu uma cláusula de renovação até o final de 2026. O lusitano, porém, optou por encerrar o vínculo antecipadamente para se recuperar mentalmente.
“Entrei no projeto para fazer melhor do que gostava. Foi nesse convite do Pedrinho que me dediquei 100%. Não pude me dedicar mais, porque o máximo é 100%. Nosso contrato era até o final de 2025. No final, havia a possibilidade, de quer eu, quer o clube, acionarmos, e eu acionei essa cláusula de poder sair agora e não renovar para 2026”
Jardim, sobre ter acionado cláusula de saída do Cruzeiro
Desgaste mental
Na coletiva com a presença da imprensa, Jardim chorou ao destacar a saudade de viver longe da família e destacou que não foi o primeiro trabalho interrompido por causa de motivações pessoais.
“Primeiro, o desgaste que todo esse ano, não só desportivo, mas que as minhas coisas pessoais me criaram, e alguns sinais alertaram: ‘Jardim, para um pouco, porque sua saúde física e mental têm que ser preservada’. Não é a primeira vez que faço isso. Fiz isso no Mônaco, parei um ano e meio para refletir sobre a vida, me recuperar e ter energia”, relembrou.
“O trabalho de treinador não pode ser feito de qualquer forma. Temos que estar 200%. Eu aqui sempre tive 200%. Não consigo dar esses 200% agora em janeiro, no próximo ano. Vou tirar o meu time de campo, mas é uma gratidão grande trabalhar no Cruzeiro. Um clube dessa dimensão, os adeptos fanáticos, o apoio que o Pedrinho sempre me deu para me integrar bem na sociedade de BH”, agradeceu.
Além dos cumprimentos ao gestor da SAF do Cruzeiro e à torcida, Jardim também mencionou um dos filhos de Pedro Lourenço ao citar a importância de ter feito amigos no Brasil.
“Não está aqui, mas o Bruninho também, o filho me ajudou bastante, a conhecer os amigos dele, pessoas. E a minha família ficou bem integrada todos os dias. Por isso, tenho que agradecer, mas quero ficar um pouco mais com meus pais, com aqueles que eu gosto e são do meu sangue. Quero resolver coisas da minha vida. Não sou treinador para estar em 50%”
Jardim chorou ao citar importância da família de Pedrinho para adaptação
“Foi isso que eu disse ao Pedrinho. Não vale a pena eu falar de dinheiro, contratos, porque, se não tiver 100%, não vale a pena falar de outras situações. Fazer agradecimentos, mais uma vez, ao Pedrinho, aos adeptos, que foram fantásticos e apoiaram durante esses 10 meses. Me fizeram voltar a viver a emoção do futebol. Era por isso que vim ao Brasil”, concluiu.
Passagem de Jardim pelo Cruzeiro
Anunciado em fevereiro de 2025, Leonardo Jardim chegou ao Cruzeiro após a demissão de Fernando Diniz. No momento da chegada, o time já atravessava uma fase ruim na temporada e apresentava um futebol abaixo do esperado.
Com o Campeonato Mineiro em andamento e praticamente eliminado na Copa Sul-Americana, o treinador viu a equipe ser desclassificada ainda na fase de grupos da competição continental e cair na semifinal do Estadual, diante do América-MG. O cenário gerou forte pressão e instabilidade nos bastidores.
A partir desse momento, Jardim iniciou uma transformação no time. Após reuniões com o elenco e com o presidente Pedro Lourenço, promoveu mudanças tanto nas peças quanto no modelo de jogo.
O ponto de virada ocorreu no empate por 1 a 1 com o São Paulo, no dia 13 de abril, no Morumbis, pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o técnico realizou sete mudanças no time titular em relação aos jogos anteriores, alterando todos os setores — exceto o gol.
Desde então, o Cruzeiro apresentou uma sequência de boas atuações, acumulou invencibilidade, subiu na tabela do Brasileirão e se consolidou na 3ª colocação, com 70 pontos, garantindo vaga direta na Libertadores de 2026, além de chegar à semifinal da Copa do Brasil.
Números de Leonardo Jardim no Cruzeiro
Ao todo, Leonardo Jardim comandou o Cruzeiro em 58 jogos, sendo três amistosos, com 27 vitórias, 19 empates e 12 derrotas. A equipe marcou 78 gols e sofreu 46, resultando em um aproveitamento de 57,47%.

