A frustração pela derrota no primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil ainda existe, mas a cada dia o sentimento do cruzeirense se transforma. A revolta vira esperança à medida que o jogo de domingo se aproxima e tenho certeza de que mesmo o mais pessimista dos torcedores sabe que o confronto ainda está aberto. Vantagem de um gol em jogo de ida não decide nada em mata-mata, mas a partida trouxe lições a aprender. E colocar em prática.
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Não surpreendeu ninguém ver o Corinthians receber uma mãozinha da arbitragem, com o perdão do trocadilho, na validação equivocada do gol de Memphis. A atuação de Anderson Daronco, picotando o jogo, fazendo longas pausas para recuperar o fôlego, e sendo conivente com a cera do time paulista, também já era esperada. O que surpreendeu e incomodou no Mineirão foi a apatia do Cruzeiro, especialmente no primeiro tempo. A falta de competitividade e ideias perante a um jogo tão grande em que éramos favoritos.
Leonardo Jardim pontuou na coletiva sobre ter sentido falta da presença dos torcedores na Toca da Raposa, para oferecer um incentivo ao grupo. Honestamente, penso que se algum jogador profissional precisa disso para se sentir motivado para uma semifinal de Copa do Brasil, está na profissão errada. Mas se este era um problema, neste sábado a torcida se fez presente no centro de treinamento mostrando que confia nos atletas para a virada.
Agora a bola está com eles. Jogar no Cruzeiro é um imenso privilégio, para poucos e afortunados jogadores. No entanto, com esta dádiva, vem no pacote também uma gigantesca responsabilidade que precisa ser assumida em campo. Nenhum de nós quer discurso, desculpas ou justificativas sobre o que aconteceu na quarta-feira, o tempo não volta. E existe uma forma de redenção, vitória e classificação sobre o Corinthians em São Paulo.
No tocante ao treinador, muito se falou sobre o futuro de Jardim, se fica ou não para a próxima temporada. Discussão absolutamente irrelevante às vésperas de uma decisão. No entanto, o português também tem um desafio pela frente. Mostrar que é capaz de achar soluções dentro do elenco para superar Dorival Junior e seus comandados. No jogo de ida, estivemos muito abaixo na estratégia para o confronto, parecendo não ter um plano B para as adversidades enfrentadas no início e com um repertório muito limitado na tentativa de pressão na etapa complementar.
Jogos de futebol não são definidos apenas por um fator, falar que faltou raça é tentar simplificar demais uma questão complexa. O Cruzeiro mostrou durante o ano uma dificuldade para vencer adversários que se fechavam bem. Nossa melhor versão foi no chamado jogo de transição, o contra-ataque, para simplificar. Mas nós também ganhamos jogos em que precisávamos propor jogo.
O Cruzeiro de Jardim não é samba de uma nota só, como alguns críticos de ocasião querem fazer parecer. Houve variação em alguns momentos, mas a manutenção de uma base titular era muito elogiada enquanto os resultados vieram. E é assim que o futebol funciona mesmo, ninguém está errado por pensar assim. Este elenco mostrou contra Flamengo, Palmeiras, Atlético e até o próprio Corinthians, que tem os elementos para sair desta enrascada e chegar à decisão.
Mas isso passa por postura, organização e nervos de aço. Enfrentaremos em Itaquera uma batalha duríssima, começando por reencontrar nossa melhor versão e contar com atuações melhores de todos os jogadores, que precisam mostrar que querem e merecem vestir a nossa camisa. Jardim precisa escolher bem os substitutos de Villalba e Romero e montar um time que possa calar o Brasil, que já conta com a classificação corintiana. O adversário tem a torcida e a arbitragem a seu favor. E foi justamente assim, neste contexto desfavorável, que o Cruzeiro escreveu boa parte de suas páginas heroicas e imortais. Vamos a mais uma.

