Leonardo Jardim sempre desenvolveu jovens jogadores ao longo dos seus trabalhos como treinador na Europa e na Ásia, sobretudo, nos seus anos de destaque à frente do AS Monaco. Famoso por revelar grande talentos para o mundo, como Kylian Mbappé, o português trouxe a esperança de maior utilização e aproveitamento dos Crias da Toca à torcida cruzeirense.
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Indo, talvez, na contramão do perfil de jogadores que o Cruzeiro buscou com Alexandre Mattos e Fernando Diniz no mercado de janeiro, Leonardo Jardim renovou, na medida do possível com uma temporada em andamento, o elenco, barrando alguns medalhões/jogadores experientes e abrindo oportunidade para jovens jogadores, como na saída de Marlon para o Grêmio, projetando espaço para Kaiki e Kauã Prates.
Nesse sentido, buscando entender o perfil do Cruzeiro frente aos 19 adversários da Série A de 2025, a coluna Cruzeiro Stats levantou os dados de todos os clubes baseando na idade e na quantidade de minutos atuados no campeonato brasileiro (até a 33ª rodada). Para diferenciar os atletas, separamos todos eles em cinco categorias distintas:
- Promissor: atletas com, no máximo, 20 anos de idade;
- Jovem: atletas entre 21 e 23 anos;
- Ápice: atletas entre 24 e 30 anos;
- Experiente: atletas entre 31 e 35 anos;
- Veterano: atletas com 36 anos ou mais.

O elenco do Cruzeiro se distribui da seguinte forma no Brasileirão 2025:
- Promissor: 19% (Destaque: Keny Arroyo com 497min)
- Jovem: 23% (Kaiki com 2653min)
- Ápice: 32% (Fabrício Bruno com 2590min)
- Experiente: 13% (Lucas Romero com 2578min)
- Veterano: 13% (Cássio com 2726min)
Dessa forma, a espinha dorsal do Cruzeiro conta com atletas de diferentes idades, mesclando perfis. Há jogadores muito vitoriosos e experientes, assim como atletas que vivem o auge físico, e jovens potenciais buscando sequência.
Em comparação com o restante do campeonato, o Cruzeiro se destaca em duas categorias: é o 3º clube que mais utilizou jogadores diferentes entre 21 e 23 anos, o 2º que mais utilizou veteranos e está entre os seis que mais deram oportunidades aos jogadores promissores. Com isso, o clube celeste apresenta um perfil de elenco mais bimodal da competição, com uso intenso de jovens, mas também de veteranos, o que é possível constatar comparando com a média de utilização das 20 equipes.

Apesar disso, há mudanças significativas no perfil do elenco quando comparamos o primeiro com o segundo turno da competição. Isso se deve ao fato de as equipes recalcularem rotas, aproveitando a abertura da janela do meio do ano e promovendo alterações dentro do próprio elenco (subida de atletas da base e dispensas de jogadores pouco aproveitados).

O Cruzeiro foi o clube que mais ampliou a minutagem de atletas com 20 anos ou menos e, simultaneamente, o que mais reduziu o tempo de jogo de seus veteranos. Esse duplo movimento revela uma mudança estrutural na política de utilização do elenco: menos dependência de jogadores em fim de carreira e mais espaço para jovens com potencial de desenvolvimento.
Na prática, o clube passa a se alinhar aos modelos mais bem-sucedidos do país, aproximando-se do padrão estabelecido pelo Palmeiras, referência recente na formação e promoção de talentos e segundo colocado em minutos sub 20 no primeiro turno, atrás apenas do Santos, equipe historicamente conhecida pelo lançamento de jovens atletas no profissional.
Essa reorientação tende a se consolidar nas próximas janelas de transferência e no fortalecimento da integração com a base, algo já perceptível nas mudanças implementadas na Toca 1 ao longo deste segundo semestre.
Paralelamente, a área de scouting deve ampliar o foco em atletas mais jovens, buscando antecipação ao mercado e aproveitando janelas de oportunidade antes que o custo de aquisição aumente — um caminho que o próprio Joaquim Pinto destacou em entrevista ao Central da Toca (assista abaixo).
Embora um elenco competitivo dependa do equilíbrio entre juventude, ápice físico e experiência, o Cruzeiro entra em um ciclo no qual saber formar, acelerar e aproveitar seus jovens será determinante. Ao reduzir gradualmente a necessidade de veteranos e aumentar o protagonismo das categorias de base, o clube não apenas eleva o teto de desempenho esportivo, mas também constrói uma estratégia sustentável de geração de valor e potencial de venda no mercado internacional.

