Comandante da Seleção Colombiana na conquista da medalha de bronze na Copa do Mundo Sub-20, César Torres deu a sua versão sobre o “sumiço” de Néiser Villareal após a competição. Nos últimos dias, o clube colombiano afirmou que o atacante, reforço do Cruzeiro e artilheiro do torneio, já deveria ter se reapresentado, o que não aconteceu.
Em entrevista à ESPN Colômbia, nessa quarta (22), o treinador destacou que, em conversa com Villareal, Néiser explicou que estava em Tumaco, uma cidade do interior do país, para visitar a sua mãe. O jogador teria dito ao técnico, ainda, que o Millonarios não lhe comunicou sobre a data em que deveria ter se apresentado depois do Mundial.
“Eu posso falar das conversas que tenho com ele fora da Seleção e dos comportamentos na Seleção. Eu creio que, no Millonarios, não teve nenhum ato de indisciplina. Sei que não se apresentou. Por exemplo, é um tema que ele me disse que não o disseram quando deveria se apresentar. Já pediram para ele se apresentar o quanto antes for possível”, iniciou.
“Não é um garoto rebelde e nem desobediente. Pelo contrário, é um jogador de equipe, que tem alegria e que, talvez, ficou esperando a todo tempo uma melhor comunicação. Falei com ele, e ele me disse: ‘Não me falaram quando tenho que me apresentar. Fui visitar a minha mãe. Estou em Tumaco'”
César Torres, técnico da Seleção Colombiana Sub-20, sobre ‘sumiço’ de Néiser
Lesão quase deixou Néiser fora da Copa Sub-20
À ESPN, o técnico da Seleção Colombiana Sub-20 também destacou a lesão no joelho esquerdo de Néiser, em julho, em um amistoso contra o Panamá. O problema físico, segundo César Torres, quase deixou Villareal fora da Copa do Mundo. O atleta, porém, não mediu esforços para representar o país na competição, no Chile.
Em meio ao período de preparação para o Mundial, Néiser se envolveu em uma grande polêmica. Nas redes sociais, o atacante apareceu com uma camisa do América de Cali, o que incomodou a torcida e a diretoria do Millonarios. Com efeito imediato, o jogador foi afastado do elenco e passou a treinar separadamente, além da lesão no joelho.
“Recordem que ele se lesionou em um amistoso nosso (do sub-20) contra o Panamá, em Cali. Essa lesão quase o deixou fora (da Copa do Mundo Sub-20). Depois, vem esse ocorrido da camisa (de vestir a camisa do América de Cali) e ele foi separado do plantel profissional”, disse.
“Nós tivemos contato direto com o médico do plantel profissional do Millonarios. Depois, fizemos contato com a médica do sub-20. Ele foi separado por esse episódio no profissional. Depois disso, a Federação solicitou ao Millonarios para tentar recuperá-lo na preparação, para ver se chegava ao Mundial”, revelou Torres.
Críticas ao Millonarios
Por fim, César Torres também criticou publicamente o Millonarios por não ter feito uma “comunicação assertiva” com Néiser Villareal. O treinador ponderou que o reforço do Cruzeiro não é tão difícil quanto algumas pessoas colocam.
“Quando ele chegou aqui (ao sub-20), estava separado do plantel profissional por um erro. Nós falamos com ele, e ele aceitou. Mas, te digo: não é como estão pintando. É um garoto nobre, que teve muitas dificuldades. Acredito que, de imediato, a comunicação não foi a mais assertiva”, enfatizou.
“Não sei de quem depende, mas já falaram com ele, e ele se apresentará o mais rápido possível. Vai terminar o contrato como deve ser, tentando respeitar o clube e deixando as portas abertas. Não é que lemos coisas malucas ou o bajulemos. Quando precisamos corrigi-lo e falar mais forte, isso foi feito. Ele escuta e é inteligente”
César Torres, sobre reta final do ciclo Villareal no Millonarios
Néiser quis abandonar concentração para fechar com Cruzeiro
Outra novidade apresentada por César foi a de que Villareal queria, inicialmente, deixar a Seleção Colombiana Sub-20 para ir a Belo Horizonte e assinar com o Cruzeiro. Naquele momento, segundo o técnico, o atacante viajaria sem o conhecimento do Millonarios. Tal comportamento fez com que Torres fosse ainda mais direto com Néiser sobre as chances de não ser convocado.
“Antes do Mundial, ele chegou até mim e disse: ‘Profe, tenho que ir fazer uns exames médicos, porque vou assinar com um clube’. Nós dissemos que ele não podia sair da Seleção, porque se, saísse para fazer exames médicos sem que seu clube (Millonarios soubesse), ficaria fora da Seleção”, afirmou.
“Então, ele disse: ‘Entendo toda a situação, e, se me querem (o Cruzeiro), que me esperem até depois do Mundial. Hoje, o que quero é jogar com a Seleção’. Imaginem o tipo de decisão que toma. Nesse momento, não estava definido (por causa da lesão) se ele poderia estar no Mundial. Ele renunciou a tudo, ficou, porque queria jogar o Mundial, estar com a equipe, competir. Depois de uns 15 dias, sai que existe um pré-acordo com um clube do Brasil (Cruzeiro), mas creio que fizeram de maneira pública”, garantiu.
“Houve uma comunicação direta entre Federação e Millonarios, e ele preferiu jogar o Mundial com a Seleção antes de fazer qualquer exame médico, porque sabia que, se abandonasse a concentração, estaria fora do Mundial”, concluiu Torres.

