Com o fim da janela de transferências de 2025, o elenco do Cruzeiro foi ajustado para o restante da temporada e, observando a trajetória da equipe desde a primeira janela após o retorno à elite do futebol brasileiro, é possível compreender os processos que passamos, os momentos que vivemos e projetar como serão os próximos mercados do clube.
Durante a 1ª janela de 2023, tivemos 17 jogadores contratados, visando construir uma nova base de elenco focada em se manter na Série A para 2024 e almejar uma vaga na sul-americana. Contratações em massa para todas as posições, em sua maioria sem custo, explorando empréstimos de jogadores em baixa, contratações de jogadores livres que colecionavam experiências na 1ª divisão e mesclando atletas mais velhos e mais jovens que, em algum momento, mostraram potencial para serem consistentes dentro da competitividade do Brasileirão.
Para a 2ª janela, o investimento foi um pouco maior e visou atletas para elevar o nível da equipe titular. Chegaram jogadores como Arthur Gomes, Matheus Pereira, Lucas Silva e João Marcelo, todos bem mapeados e com planejamento de ter presença constante nos 11 iniciais, aumentando a qualidade técnica do time. Em contrapartida, Matheus chega com um alto salário, enquanto João Marcelo e Arthur Gomes chegam em definitivo, com taxas elevadas de compra comparado ao que vimos na 1ª janela. Ao final do ano, apesar dos sustos, a vaga na sul-americana foi garantida e os objetivos alcançados.
Em 2024, o número de contratações na 1ª janela reduziu quase que pela metade em comparação ao ano anterior, chegando “apenas” 9 atletas. Seguindo o que havia sido feito no meio do ano de 2023, o planejamento ocorreu de forma a identificar as carências da equipe ao longo do primeiro semestre e trazer, ao longo do ano, novos jogadores que aumentassem o nível e gerassem impacto desde suas chegadas. Gabriel Verón, Dinenno, Barreal, Lucas Romero, Villalba e Zé Ivaldo foram importantes durante toda a temporada, mantendo sempre o perfil financeiro: jogadores por empréstimo ou com baixo valor de compra, apostando em um custo-benefício acima da média do país.
Durante esse período, a primeira grande mudança: Ronaldo vende o clube para Pedrinho, que se torna o dono da SAF do Cruzeiro e modifica completamente o perfil de time, de contratações e de objetivos da equipe. Tivemos uma ruptura no processo que estava sendo feito para construir o que o Pedrinho visualiza ser o futuro do Cruzeiro comandado por ele.
A 2ª janela de 2024 envolveu jogadores com maior impacto, maior visibilidade e, consequentemente, maior investimento financeiro. Jogadores conhecidos como Cássio, Walace, Matheus Henrique e Kaio Jorge chegam como uma mudança brusca no perfil e um recado de que o clube quer ter um maior protagonismo. Apostas em jogadores como Jonathan Jesus, Lautaro e Peralta já acontecem envolvendo um maior valor de compra do que acontecia anteriormente. O clube chega à final da sul-americana, apesar da queda brusca de desempenho com Fernando Diniz no comando.
O ano de 2025 começa com a 1ª janela completamente pensada por Pedrinho e Mattos e, assim como aconteceu em 2023, a ideia foi construir uma nova base de equipe, mas dessa vez buscando brigar na parte de cima da tabela. Dessa forma, 11 jogadores foram contratados, mesclando nomes experientes e vencedores do futebol brasileiro, como Gabigol, Dudu, Fagner, Fabrício Bruno e Eduardo, além de jogadores jovens como Rodriguinho, Christian, Gamarra e Marquinhos. Também chegaram atletas com expectativas intermediárias, pensando em um contexto de composição de elenco (Wanderson e Bolasie).

Com isso, houve um salto na idade média da equipe, na experiência e qualidade técnica dos atletas, mas, principalmente, na folha salárial paga. Para disputar com os 5 primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro investe alto e monta uma base que já se mostrou capaz de estar nessa prateleira.
A segunda grande mudança nesse percurso foi a chegada de Leonardo Jardim, que modificou completamente os processos determinados por Mattos e Diniz, aumentando consideravelmente o nível esportivo da equipe, ajudando, também, a reformular o departamento de scout, que agora é comandado por Joaquim Pinto.
Dessa forma, a 2ª janela de 2025 termina com apenas 4 contratações (além do pré-contrato de Matheus Cunha para 2026), um número muito abaixo daquilo que estávamos acostumados. Contudo, o planejamento segue coerente, uma vez que, depois de identificados os pontos críticos do elenco, que atualmente eram os jogadores de drible e capazes de gerar perigo em espaços curtos, a equipe busca atletas protagonistas, com potencial para serem destaques a nível nacional e continental (Sinisterra e Arroyo).
Em geral, há um investimento de altos valores para a aquisição desses nomes, preferencialmente em definitivo, contudo, o clube também atua no mercado de forma a sanar outras carências menos urgentes com contratações de jovens em menor valor, aproveitando oportunidades mapeadas pelo departamento, como os casos de Ryan Guilherme e Kauã Moraes, se antecipando ao mercado. Não é nenhuma receita de sucesso, mas é um movimento fundamental a médio e longo prazo e que era pouquíssimo praticado no Cruzeiro nos últimos anos.
Para as futuras janelas, o que se projeta é manter o perfil da última: contratações pontuais, de atletas com características que o elenco não possui e precisa adquirir fora das categorias de base, com protagonismo imediato e grande potencial de crescimento e revenda. Além disso, um novo fator será a reposição de atletas vendidos, pois as negociações dos titulares da equipe provavelmente serão inevitáveis tendo em vista o alto nível de desempenho e o preço praticado pelos clubes estrangeiros. Compreender as características dos atletas para manter o mesmo estilo e qualidade dos jogadores será fundamental visando que o Cruzeiro permaneça entre os primeiros colocados e busque conquistas relevantes nos próximos anos.
Saudações Celestes!

