Em negociação para ser o novo técnico do Cruzeiro, Leonardo Jardim é bem avaliado no mercado por sua experiência, principalmente pelo bom trabalho desempenhado no futebol europeu. O português é reconhecido por seu estilo de jogo adaptável ao esquema do adversário, mas sem deixar de lado suas ideia principal: buscar o ataque de forma acelerada na construção.
O Central da Toca consultou Pedro Torres, comentarista da Samuca TV e analista tático, para entender como jogam os times do técnico. Leo Jardim colheu bons frutos no Olympiacos, da Grécia, Monaco, da França, e no Al-Hilal, da Arábia Saudita.
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Monaco
De acordo com Pedro, a melhor obra de Jardim foi no Monaco. Nas seis temporadas à frente da equipe, o profissional de 50 anos conseguiu um título nacional, em 2016/17, desbancando o poderoso PSG, que havia vencido as quatro edições anteriores.
“Acho para começar a falar do Leonardo Jardim não tem como não citar o Monaco, foi talvez a obra prima dele. Era um time que partia do 4-4-2, tinha dois laterais bem agressivos, que se projetavam muito para o ataque. Tinha também dois pontas, que ajudavam muito, e tinha dois meio-campistas, além da dupla de ataque”, iniciou.
O comentarista da Samuca TV também destacou a saída de bola. Ele afirmou que Jardim gosta que seus jogadores saiam da defesa tocando bola, mas não como era exigido por Fernando Diniz.
“Falando de como funcionava esse time, ofensivamente era uma saída curta mas não curta à moda Diniz, que tentava sempre a saída curta. Do Leonardo Jardim é sempre tentando acelerar o máximo essa jogada e, às vezes, o volante baixava entre os dois zagueiros, os dois laterais davam muita amplitude para tentar é alargar o campo”, completou.
“É um time de muito toque e triangulação no corredor lateral ou central para conseguir construir. toque de bola rápido para chegar no gol de adversário o quanto antes”.
Pedro Torres sobre o Monaco de Leonardo Jardim
Ainda sobre o Mônaco, Torres ponderou a falha mais evidente do time: o contra-ataque pelas laterais desprotegidas.
“Talvez o principal ponto de deficiência desse Monaco, do Leonardo Jardim, era que, como ele colocava essa formação com bola, de 2-4-4, quando perdia essa bola, o corredor lateral era bem bem atacado pelo adversário em situação de contra-ataque”, pontuou.
Al-Hilal
Segundo Pedro Torres, Leonardo Jardim adaptou o modo de jogar de suas equipes após partir para um novo desafio na Arábia Saudita. Na temporada de 2021/2022, o treinador assumiu o Al-Hilal, clube pelo qual foi comandante de Matheus Pereira.
“Quando ele decide ir para o mundo árabe, ele meio que abandona um pouco o 4-4-2 e parte muito mais para o 4-2-3-1. Mas no bloco médio defensivo, por exemplo, ainda mantém a ideia de se defender no 4-4-2. De novo, com muita agressividade, muita pressão no portador da bola, e aí ele tenta o quanto antes, roubou essa bola, já acelerar em direção ao gol”, disse.
“A ideia das transições do Leonardo Jardim são sempre agressivas. Roubou, já tenta tirar de uma zona de pressão e ir no sentido do gol”.
Pedro Torres sobre o estilo de Leonardo Jardim
No Al-Hilal, Jardim foi campeão da Champions da Ásia e da Supertaça da Arábia Saudita, em 2021, e do Campeonato Saudita na temporada 2021/2022.
Al Ain
Por fim, Pedro também analisou o comportamento da equipe de Jardim nos Emirados Árabes. O treinador está no comando do Al Ain desde novembro do ano passado e tem mostrado semelhanças no estilo de jogo mesmo com peças menos qualificadas.
“Ofensivamente, pelo menos nos jogos que eu consegui acompanhar, agora que ele entrou no radar do Cruzeiro, ele também tenta colocar esse time para poder sair nesse 2-4-4. Ele mantém o conceito de tentar sempre formar triângulos nos setores do campo para conseguir essas jogadas de triangulação e constrói muitas jogadas no corredor lateral”, finalizou.
Quem é Leonardo Jardim?
Nascido em Barcelona, na Venezuela, filhos de pais portugueses, Jardim se mudou para a Ilha da Madeira, em Portugal, ainda jovem. Começou a carreira naquele país, onde comandou Camacha, Chaves, Beira-Mar e Braga. Depois, foi para a Grécia, país em que treinou o tradicional Olympiacos.
Jardim ainda retornou para Portugal para comandar o Sporting antes de partir para o que seria seu trabalho mais longo e sólido. No Monaco, da França, foram seis temporadas e um título nacional, em 2016/17, desbancando o poderoso PSG, que havia vencido as quatro edições anteriores.
Da França, Jardim foi para o Al Hilal, da Arábia Saudita, onde pediu a contratação de Matheus Pereira, hoje no Cruzeiro. O treinador português ainda comandou o Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, e Al-Rayyan, do Catar, antes de chegar ao Al Ain.
Negociação com o Cruzeiro
Inicialmente, Cruzeiro e Leonardo Jardim avaliam um contrato por duas temporadas. Contudo, a expectativa é de que esse período possa ser ampliado por meio de uma opção, já prevista no vínculo que seria assinado neste momento. As negociações sobre esse tema ainda não estão concluídas.

