Ídolo incontestável da história do Cruzeiro, o ex-atacante Marcelo Ramos se declarou ao clube e relembrou as inúmeras conquistas com a camisa celeste. Apelidado de Flecha Azul, o ex-centroavante foi decisivo em diversos títulos pela Raposa e tornou-se um símbolo do time na década de 1990.
Em entrevista ao Charla Podcast, nessa quarta-feira (27), Marcelo Ramos reviveu a venda do Cruzeiro ao PSV, da Holanda, e o retorno ao Brasil no ano seguinte para ampliar as suas marcantes trajetórias na capital mineira.
“No dia 13 de agosto, fez 28 anos que a gente conquistou a América com gol do Elivelton. Eu retorno do PSV, por empréstimo, porque, quando faço o gol do título da Copa do Brasil, em 1996, 15 dias depois sou vendido para o PSV. Vou para a Holanda. No Mineiro de 1996, eu fiz 23 gols e, na Copa do Brasil, sete. O Luizão tinha sido artilheiro, com oito”, iniciou.
“Com seis meses, eu tinha 30 gols na temporada. Campeão mineiro, artilheiro do Mineiro e campeão da Copa do Brasil. Vou para a Holanda e faço mais uns dez no PSV. Começo a temporada em 1997, não estou mais como titular, jogando muito, aí eu volto. Penso muito em voltar ao Brasil, porque tem aquele sonho de jogar na Europa. Quando recebo a ligação do Cruzeiro, do Nonato e do Zezé Perrella, o Paulo Autuori também me liga”
Marcelo Ramos relembrou empréstimo acordado entre PSV e Cruzeiro
Já com status de ídolo do Cruzeiro e com o aval da comissão técnica, dos jogadores e da presidência, Marcelo Ramos retornou à Raposa em 1997 e foi peça fundamental na conquista do bicampeonato da Copa Libertadores.
“Eu olhei o grupo, era praticamente o mesmo, algumas mudanças só de 1996. Falei que ia voltar e ver o que ia acontecer, para a minha casa. Quando olhei o contrato, estava ganhando mais no Cruzeiro do que no PSV. Era muito difícil isso naquela época. O dinheiro pesa, mas, se fosse para uma outra equipe do Brasil, talvez eu não teria voltado”, enfatizou Ramos.
“A gente ganha o Mineiro e a Libertadores. Estou jogando o Brasileiro e o Zezé Perrella fala: ‘Você não vai voltar, a gente te comprou de volta’. Graças a Deus, consegui construir uma história gigante no Cruzeiro”, se declarou.
Elogios a Paulo Autuori
Durante a entrevista, além de ter citado a importância da ligação de Paulo Autuori para o seu retorno, o Flecha Azul também rasgou elogios ao treinador sobre a convivência no dia a dia.
“Em 1997, o Autuori foi muito importante. É um cara que, se pegar dez jogadores, 30 vão falar bem. Eu ficava impressionado como ele conduzia a equipe taticamente e também como um gestor. Ele deixava os caras no banco sem clima de briga. Se fosse um outro treinador, eu não voltava”
Marcelo Ramos, sobre importância de Paulo Autuori em 1997
Gols, idolatria e muitos títulos
Na história, Marcelo Ramos é o sexto maior artilheiro do Cruzeiro, com expressivos 163 gols em 365 jogos. Ao longo de quatro passagens pela Toca da Raposa, o ex-atacante ganhou quatro edições do Campeonato Mineiro (1996, 1997, 1998 e 2003), duas Copas do Brasil (1996 e 2003), uma Copa Libertadores (1997), um Campeonato Brasileiro (2003), uma Recopa Sul-Americana (1998), uma Copa Ouro (1995), uma Copa Master da Supercopa (1995), uma Copa Sul-Minas (2001), uma Copa dos Campeões Mineiros (1999) e uma Copa Centro-Oeste (1999).
As conquistas colocam Marcelo Ramos em segundo lugar no ranking dos jogadores mais vencedores da história celeste, com 14 títulos. Apenas o ex-volante Ricardinho, com 15, conquistou mais troféus no Cruzeiro em relação ao Flecha Azul.

