Fagner se tornou desfalque inesperado para o Cruzeiro nessa sexta-feira (1º). O lateral-direito teve constatada uma fratura na fíbula da perna direita. A projeção é que ele fique, pelo menos, cinco semanas entregue aos cuidados do departamento médico antes de retornar às atividades de transição física no campo.
O defensor de 36 anos não precisou passar por cirurgia para corrigir a fratura. De acordo com o comunicado emitido pelo próprio Cruzeiro, o tratamento para o caso de Fagner será o conservador.
Contudo, a Raposa não precisou o prazo de recuperação do atleta, como de praxe em casos de lesão. No entanto, o Central da Toca entrevistou, neste sábado (2), a fisioterapeuta Júlia Rodrigues, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para entender sobre o processo de recuperação de atletas nesse tipo de contusão.
De acordo com a profissional pós-graduada em Fisioterapia Esportiva, Fagner passará por uma série de etapas e acompanhamentos antes de intensificar suas atividades e voltar aos trabalhos com bola.
“O tratamento conservador envolve, normalmente, um período inicial de imobilização, descarga de peso gradual e seguida de uma reabilitação progressiva com foco no controle da dor, do edema, caso tenha inchaço. Além da manutenção da força muscular, ganho da mobilidade articular e uma reestruturação funcional”, iniciou.
“Nas primeiras fases, o foco será no controle do edema e preservação da função dos seguimentos não lesionados. Estruturas adjacentes ao local também terão um foco nessa abordagem”, completou.
Projeção do tempo de retorno
Júlia explicou que o cenário ideal para um atleta de alto rendimento é o retorno às praticas esportivas após a fase de consolidação óssea, já que houve fratura.
“Com a evolução da consolidação óssea, o atleta inicia o retorno gradual às atividades, começando pelas de menor impacto e especificidade. Inicialmente, preserva-se a força muscular, buscando o ganho de força e a equalização entre os membros, trabalhando as musculaturas alvo”, detalhou.
“Posteriormente, são abordadas as estruturas adjacentes e, em seguida, a corrida, tanto em linha reta quanto com mudanças de direção. A última fase envolve o treinamento com bola e o retorno completo aos gramados”, acrescentou.
“É essencial considerar o tempo de recuperação de fraturas fibulares tratadas de forma conservadora, que geralmente varia entre seis semanas. O retorno às atividades mais intensas pode ocorrer em torno de cinco a oito semanas.
Júlia Rodrigues, fisioterapeuta
A profissional prevê que Fagner inicie os treinamentos com o restante do grupo no início de setembro, já que precisará de um tempo para retomar o condicionamento físico e ritmo de jogo.
“A liberação para jogos, por outro lado, demanda um tempo adicional, devido à ausência de atividade competitiva e à necessidade de recondicionamento físico. O tempo de jogo e a tolerância à dor também são considerados”, finalizou.
Como Fagner se machucou?
A lesão de Fagner teve origem após o camisa 23 levar uma forte entrada no empate por 0 a 0 contra o CRB, no Mineirão, na última quarta-feira (30), pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Ele foi atingido pelo atacante William Pottker já na reta final da partida.
O lance ocorreu aos 47 minutos do segundo tempo. Pottker atingiu o lateral em um carrinho frontal. A árbitra Edina Alves Batista aplicou cartão amarelo no atleta do time alagoano na sequência.
Na zona mista do estádio, ainda sem saber que havia quebrado um osso da perna direita, Fagner afirmou que Pottker debochou da situação após o atingir. O defensor ficou caído no gramado reclamando de dores.
“Foi uma jogada dura, isso acontece no futebol. Não ligo, para te falar a verdade. O que foge um pouco é a falta de respeito do outro atleta. Quando eu falei que poderia ter quebrado a perna, ele disse que gosta disso. Mas tudo bem. Vida que segue”
Fagner, lateral-direito do Cruzeiro
Fagner deixou o Mineirão com o auxílio de uma bota ortopédica para imobilizar o tornozelo direito.
Nessa quinta-feira (31), o Cruzeiro havia informado que o lateral não precisou passar por exames de imagem. Desde então, ele vinha fazendo trabalhos internos no CT celeste.
Contudo, após continuar reclamando de dores na perna, Fagner foi submetido a exames que diagnosticaram a fratura.

