Pedro Torres
Pedro Torres é colunista da Central da Toca e comentarista na Samuca TV. Com foco principal em análise tática, iniciou ainda no antigo Canal Samuel Venâncio, em 2023, com o quadro Olho Tático, dedicado a vídeos de análises individuais e coletivas do Cruzeiro. Atualmente, participa das lives diárias e das transmissões de jogos da Samuca TV.

Mais do que nunca, Cruzeiro precisa cuidar do que tem em casa

Pedro Torres escreve sobre utilização das categorias de base em sua estreia como colunista do Central da Toca

Há tempos, as discussões sobre fair play financeiro e teto de gastos têm rondado as mesas redondas sobre o futebol brasileiro, escancarando o aumento exponencial das cifras envolvendo a compra e venda de atletas.

Um ponto em comum de todas essas discussões é a capacidade dos clubes em gerar receitas, com os especialistas sempre citando patrocínios, cotas de TV, e esquecendo de um detalhe importante dentro desse “ecossistema” do futebol: a venda de atletas.

Trazendo esse debate para o ponto de vista do Cruzeiro, é necessário entender a mudança de mentalidade da SAF desde a troca dos donos. Se, durante a “Era Ronaldo”, o time tinha poucos recursos e se pautava em jogadores de baixo custo que se encaixavam no modesto orçamento da equipe, a gestão de Pedro Lourenço chegou abrindo os cofres e apostando em um modelo de grandes contratações que pudessem elevar o patamar da equipe, contando, claro, com o dinheiro do agora dono da SAF, Pedro Lourenço.

+ Leia também: De saída, Vitinho perdeu espaço no Cruzeiro após chegada de Diniz

Analisando as receitas geradas pelo Cruzeiro e os valores desembolsados nas últimas duas janelas, fica claro que, a longo prazo, o Cruzeiro precisará de outras receitas além de sócio-torcedor, patrocínios e direitos de transmissão. Faz-se cada vez mais necessário que o Cruzeiro volte a revelar jogadores com potencial para entregar retorno financeiro, além, claro, do retorno técnico.

Entretanto, o maior desafio hoje do Cruzeiro, pensando no incremento dessa receita oriunda da venda de jovens atletas, é a falta de minutos dessas peças no time profissional.

Nomes como Kauã Prates (16 anos), Bruno Alves (19 anos) e Cauan Baptistella (17 anos) são jogadores de muito potencial e que poderiam render frutos esportivos e financeiros ao Cruzeiro.

As três joias celestes

Começando pelo mais jovem do trio de Crias da Toca, é necessário ressaltar o fato de Kauã Prates já estar queimando etapas. Nascido em 2008, o lateral-esquerdo já desponta como titular na categoria Sub-20 do Cruzeiro e, inclusive, já foi convocado para um período de treinamentos com a Seleção Brasileira Sub-20. Aliando boa capacidade física, velocidade e boa técnica, o lateral tem um perfil equilibrado, sendo bom nos momentos ofensivos e também defensivos.

Um ano mais velho que Kauã Prates, Baptistella é outro jogador que vem ganhando espaço na categoria acima da sua idade em 2025. Meia de bastante qualidade ofensiva, o jovem ítalo-brasileiro teve números fantásticos em 2024 pela categoria Sub-20, marcando 24 gols e 23 assistências em 41 jogos.

Fechando o trio de jogadores citados, falamos de Bruno Alves, o mais velho dos três. O zagueiro vem se destacando nas categorias de base do Cruzeiro há alguns anos, com muita qualidade na construção de jogadas. O defensor reúne características que vão ao encontro do que o futebol moderno exige de zagueiros. Bruno talvez seja o mais preparado do trio para o salto ao time profissional, tanto fisicamente quanto tecnicamente falando.

Minutos, a “moeda” mais cara do futebol

Apesar de todas as qualidades que o trio de atletas do Cruzeiro reúne, falta um ponto muito importante, que foi anteriormente citado no texto: minutos jogados no time profissional. Pegando como exemplo duas vendas recentes do futebol brasileiro, podemos observar como minutos jogados no profissional são importantes tanto para o desenvolvimento do atleta quanto para a exposição desses talentos para times do exterior.

Uma dessas vendas foi a de Gabriel Carvalho, meio-campista do Internacional, que foi vendido ao Al Qadisiyah da Arábia Saudita por US$ 22 milhões, sendo US$ 16 milhões fixos e os outros US$ 6 milhões em metas. Com apenas 17 anos, Gabriel Carvalho somou na temporada passada 1.343 minutos jogados no profissional, totalizando 26 jogos, levando em conta Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana.

Outro caso recente foi a venda do zagueiro do Palmeiras, Vitor Reis, de 19 anos, ao Manchester City. Custando 35 milhões de euros, o defensor do alviverde se tornou a maior venda de um zagueiro na história do futebol brasileiro. Alçado aos titulares do time comandado por Abel Ferreira durante a temporada passada, Vitor soma 1.817 minutos jogados, totalizando 22 partidas, levando em conta Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores.

Se o time planeja aumentar sua arrecadação e, acima de tudo, se tornar mais sustentável, como por várias vezes citou o CEO de futebol do Cruzeiro, Alexandre Mattos, os casos acima precisam servir de exemplo para que o departamento de futebol da Raposa passe a olhar de uma forma mais cuidadosa e profissional para o processo de transição, fornecendo aos jovens talentos do clube minutos para que eles possam se desenvolver no profissional.

Pedro Torres
Pedro Torres é colunista da Central da Toca e comentarista na Samuca TV. Com foco principal em análise tática, iniciou ainda no antigo Canal Samuel Venâncio, em 2023, com o quadro Olho Tático, dedicado a vídeos de análises individuais e coletivas do Cruzeiro. Atualmente, participa das lives diárias e das transmissões de jogos da Samuca TV.
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