CEO do Cruzeiro na gestão Pedro Lourenço, Alexandre Mattos encaminhou sua saída do clube celeste. O dirigente de 49 anos, agora, tem caminho livre para fechar com o Santos. Ele deverá substituir Pedro Martins, que se demitiu do cargo no início desta semana.
Mattos tinha contrato com o Cruzeiro até 2028, mas encaminhou uma rescisão do vínculo com a Raposa para se transferir para o clube paulista.
Alexandre está no clube mineiro desde o início de 2024, quando Pedrinho adquiriu os 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) celeste, em 29 de abril do ano passado. Ele foi o primeiro nome escolhido pelo gestor para integrar a nova diretoria.
Inicialmente, Alexandre chegou para ser o diretor de futebol. Porém, com a saída de Gabriel Lima, braço direito de Ronaldo Fenômeno na gestão anterior, ele passou a ocupar o cargo de CEO.
Nos últimos meses, especialmente após a chegada do técnico Leonardo Jardim, Mattos perdeu a autonomia na gestão do futebol e passou a ser muito criticado pelos torcedores. Ele já não participava das últimas negociações.
As informações sobre o avanço das negociações para saída de Mattos do Cruzeiro foram divulgadas inicialmente por UOL Esporte e Heverton Guimarães e confirmadas por Central da Toca e Samuca TV com fontes ligadas ao Santos.
Primeiros movimentos de Alexandre Mattos
O dirigente movimentou o Cruzeiro nos primeiros meses com contratações envolvendo altos valores. Ele gastou quase R$ 200 milhões logo na primeira janela de transferências, quando trouxe o goleiro Cássio, o zagueiro Jonathan Jesus, os volantes Fabrízio Peralta, Matheus Henrique e Walace, e os atacantes Kaio Jorge e Lautaro Díaz.
Com os reforços contratados, o Cruzeiro teve aumento de quase 50% na folha salarial mensal, saltando de R$ 12 milhões para R$ 17 milhões.
Os reforços ajudaram o Cruzeiro a chegar à final da Copa Sul-Americana, mas ficou apenas no quase. O time celeste foi derrotado pelo Racing, da Argentina, na decisão e ficou com o vice-campeonato.
No Brasileirão, a equipe mineira também não cumpriu o objetivo de terminar na zona de classificação à Copa Libertadores.
Perda de força no Cruzeiro
Mattos perdeu força e prestígio aos poucos no Cruzeiro em 2025 após uma série de acontecimentos.
Com estratégia semelhante a do ano passado, de trazer jogadores balados no cenário nacional, o diretor fechou com 11 novos jogadores. Foram eles: os zagueiros Fabrício Bruno e Mateo Gamarra; o lateral-direito Fagner; o volante Christian; os meias Eduardo e Rodriguinho; além dos atacantes Dudu, Gabigol, Bolasie, Marquinhos e Wanderson.
Dessas, a mais contestada pela torcida do Cruzeiro foi a de Dudu, já que o atacante deixou o clube após polêmicas de bastidor. O ex-camisa 7 fez um acordo para receber uma quantia milionária na rescisão contratual. Logo depois, ele acertou com o Atlético-MG.
Em abril deste ano, Pedrinho fez uma crítica pública a Alexandre Mattos. O mandatário indicou que o diretor trouxe jogadores “que não deveriam ser contratados”.
“A primeira pessoa que eu trouxe foi o Alexandre (Mattos). A realidade mostra para todo mundo: erramos muito nas contratações. Não vou citar nomes porque é deselegante. Trouxemos jogadores que não deveriam ser contratados. É um erro. O futebol não perdoa a gente com erros”, disse em 8 de abril.
Com a chegada do técnico Leonardo Jardim ao clube, Mattos perdeu ainda mais força. O treinador português ganhou autonomia total da diretoria para fazer as mudanças necessárias em todos os setores do departamento de futebol, inclusive indicar jogadores para serem contratados.
Estrutura do Cruzeiro
Sem Mattos, o Cruzeiro seguirá, inicialmente, com o departamento de futebol atual. Paulo Pelaipe, que já havia ganhado força nos últimos meses, deverá se firmar na posição de principal figura na pasta.
Embora tenha chegado ao Cruzeiro por indicação de Mattos, Pelaipe ganhou a confiança de Pedro Lourenço, e, principalmente, de Pedro Junio, filho do mandatário e vice-presidente da SAF.

