Desde a volta do Cruzeiro à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, as bolas paradas, tanto ofensivas quanto defensivas, têm sido uma verdadeira dor de cabeça para o torcedor celeste.
Historicamente, as grandes equipes do Cruzeiro no século XXI contavam com bons cobradores de bola parada e uma equipe com boa estatura, capaz de vencer muitos duelos pelo alto. Quem não se lembra da dupla Dedé e Bruno Rodrigo fazendo inúmeros gols de cabeça em 2013/14 e as faltas magistrais cobradas por Alex na Tríplice Coroa de 2003?
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Essas características são imprescindíveis, pois, no futebol moderno, possuir recursos no jogo aéreo é um verdadeiro diferencial. Atualmente, podemos destacar o Arsenal como um dos grandes exemplos de força pelo alto, decidindo várias partidas com gols de escanteios bem trabalhados e com jogadores de qualidade para executar as ações nas bolas paradas.
A Cruzeiro Stats avaliou o saldo de gols (gols feitos x gols sofridos) de bolas paradas das edições de 2023 e 2024 do Brasileirão, identificando o desempenho ofensivo e defensivo das equipes nesse aspecto. E o resultado confirmou as expectativas: há uma correlação muito grande entre ser impactante no jogo aéreo e alcançar bons resultados esportivos.

As duas equipes que lideram o saldo de gols em bolas paradas são justamente os 2 últimos campeões do Brasileirão: Palmeiras e Botafogo, ambos com 18 gols positivos de saldo. Além de contarem com jogadores como Gustavo Gomez e Igor Jesus, que se destacam no jogo aéreo, é interessante observar como a maioria dos atletas das duas equipes tem um perfil físico mais alto (acima de 1,80m) buscando realmente ter um impacto maior nesses duelos. É uma tendência que ocorre no futebol europeu e vem aparecendo mais no Brasil.
Já na outra parte da tabela, temos o Coritiba, com -15 gols de saldo, seguido pelo América-MG (-8) e… o Cruzeiro, com os mesmos -8 de saldo do seu rival regional. Observa-se que as dentre as 4 equipes com pior desempenho em saldo, apenas o Cruzeiro não foi rebaixado nos últimos campeonatos (o 4º integrante da lista é o Athlético PR com -7 gols de saldo). Times que são ineficientes nas bolas paradas, ou seja, que não conseguem converter suas chances e sofrem com as do adversário, tendem a estar na parte de baixo da tabela.
Especialmente falando de 2024, quando o Cruzeiro perdeu a vaga para a Libertadores para Corinthians e Bahia nas últimas rodadas, o aproveitamento nas bolas paradas certamente teve impacto na disputa. Ofensivamente, o Corinthians fez 14 gols de bola parada, Bahia fez 8 e o Cruzeiro apenas 2. Na parte defensiva, o Tricolor Baiano sofreu 12 gols, o Cabuloso sofreu 9 e a equipe paulista somente 8. A diferença na eficiência em bolas paradas foi bem semelhante à diferença das equipes na classificação final, com Corinthians em 7°, Bahia em 8° e Cruzeiro em 9°.
Neste final de semana, conseguimos um importante empate contra o São Paulo no Morumbi com gol de bola parada, ponto conquistado que, ao final do campeonato, pode significar muito matematicamente. A utilização de Kaio Jorge e Wanderson no lugar de Dudu e Gabigol também é reflexo dessa preocupação de Leonardo Jardim, especialmente com a bola aérea, ponto que deve ser bem observado e discutido para as próximas janelas, para que o Cruzeiro volte a ser mais dominante nas faltas e escanteios, como foi em anos passados.

