A derrota para o Mushuc Runa por 2 a 1 acentuou o momento ruim do Cruzeiro e a necessidade de mudanças.
A primeira anunciada foi a saída de Marlon para o Grêmio, por empréstimo até o fim do ano, com opção de compra pelo Tricolor Gaúcho. O lateral deixa a Toca da Raposa pela porta dos fundos, mostrando como a incapacidade da diretoria em lidar com egos e encerrar ciclos pode ser nociva. Marlon acumulou polêmicas, dentro e fora de campo, que destruíram o respeito conquistado em 2023.
Mas é muito mais produtivo falar de quem ficou. Afinal, a titularidade na lateral esquerda celeste está em disputa, principalmente entre Lucas Villalba e Kaiki. Os jovens Kauã Prates e Gustavo são opções do time sub-20, mas correm por fora. Kauã tem jogado o Sul-Americano sub-17 com a Seleção Brasileira como zagueiro e será observado.
Japa, que jogou improvisado no setor, também pode ser experimentado quando estiver 100% recuperado de lesão, o que pode acontecer ainda neste mês.
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Villalba veio para o Cruzeiro como zagueiro e, de fato, se destacou assim no Argentinos Juniors-ARG, numa linha de 3 beques. Mas quando jogou por Independiente-ARG, Huracán-ARG e Aldosivi-ARG, foi sempre lateral-esquerdo. Um jogador mais defensivo, de pouco brilho, mas que pode oferecer a Leonardo Jardim um pouco mais de segurança. Para um time que toma gol todo jogo, não é uma alternativa desprezível.
O candidato mais qualificado à camisa 6 do Cruzeiro já usa o número. Kaiki foi titular nos dois primeiros jogos do Brasileiro e deve seguir na função no duelo contra o São Paulo. Com mais virtudes ofensivas que Villalba, o cria esperou por muito tempo uma sequência de jogos que pode finalmente ter chegado. O problema é que o seu desempenho em 2025 está abaixo do que mostrou na última temporada.
Fazendo um rápido exercício de memória, o último momento bom do Cruzeiro aconteceu em julho de 2024. Dos 7 jogos daquele mês, Kaiki foi titular em 5, tendo um jogo ruim contra o Criciúma e partidas muito boas contra Grêmio, Juventude e Red Bull Bragantino.
Perdeu a posição após uma reclamação de Marlon, que cobrou a titularidade via imprensa e acabou atendido pelo técnico da época, Fernando Seabra. Inclusive, um dos maiores erros do jovem treinador no período de Toca da Raposa.
Nos meses seguintes, Kaiki jogou clássico, enfrentou Boca Juniors e Lanús no mata-mata da Sul-Americana, fez seu primeiro gol como profissional contra o Corinthians e fechou o ano jogando bem na vitória sobre o Juventude. Com o decepcionante desempenho coletivo de 2025, também não tem conseguido sobressair, mas longe de comprometer o time como fazia o antigo titular que desembarcou sorridente em Porto Alegre.
Aos 22 anos e com mais de 50 jogos pelo time principal do Cruzeiro, Kaiki está pronto, é um jogador tecnicamente e fisicamente formado. Com contrato renovado na gestão de Pedro Lourenço até o fim de 2027, é hora de mostrar em campo o futebol que o credenciou a receber propostas de clubes europeus e norte-americanos. Ao atleta, cabe assumir a responsabilidade e tomar conta da posição, porque o santo da casa pode sim, fazer milagre.

