Camisa 10 que marcou época no Cruzeiro, Walter Montillo destacou a importância de um jogador com as mesmas características de jogo para uma equipe. O argentino de 40 anos também elogiou Matheus Pereira, que exerce a função de armador na Raposa atualmente.
Em entrevista exclusiva à Samuca TV, nessa segunda-feira (24), Montillo afirmou que não gosta de times que jogam sem um camisa 10 clássico. O ex-jogador celeste acredita que se o articulador da equipe é deslocado para outra área do campo, o sistema perde sua força.
“Eu fico um pouquinho com raiva dessa mudança de esquema, que vai para o 4-3-3 e deixa o camisa 10 jogando por fora. Tem que voltar a jogar 4-2-3-1 para colocar esse camisa 10 ali na frente. Por isso eu acho que tem menos. Mesmo nas bases, mudam o jeito de jogar. Quando tem o 4-3-3, (esse jogador) vira um 8, não é um camisa 10 clássico, já tem os dois extremos por fora”, iniciou.
“Por isso eu gostava muito do Cuca, ele jogava com 4-2-3-1 e esse um, atrás do atacante, era o camisa 10”, completou.
Montillo trabalhou com Cuca no Cruzeiro na temporada de 2011. Ele disputou 45 partidas sob o comando do treinador, marcou 17 gols e deu nove assistências.
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O último jogo profissional de Montillo foi em 13 de fevereiro de 2021. Na oportunidade, ele deu uma assistência na vitória da Universidad de Chile por 3 a 1 sobre o Antofagasta, pela 34ª rodada do Campeonato Chileno.
Desde então, Montillo passou a se dedicar 100% a família e outros negócios profissionais.
Elogios a Matheus Pereira
Logo após defender sua opinião sobre a utilização de um armador, Montillo elogiou Matheus Pereira. O argentino destacou as qualidades do meio-campista que terminou a temporada de 2024 com 15 assistências e 11 gols, mas não vem bem neste ano.
“Mas o Matheus Pereira joga bem. Eu sei que aí aconteceu essa coisinha de que ele ia sair e tudo mais, mas é bom jogador. Diferente. Com uma qualidade diferente, mas é bom jogador. Eu gosto”
Montillo sobre Matheus Pereira, do Cruzeiro
Matheus Pereira esteve perto de deixar o Cruzeiro em fevereiro. Ele tinha um acordo bem encaminhado com o Zenit, da Rússia, mas recuou nas últimas horas antes do fechamento da janela de transferências no país do leste europeu.
Depois da negociação frustrada, o meia ficou de fora da eliminação do Cruzeiro para o América-MG na semifinal do Campeonato Mineiro.
Nos últimos jogos-treino realizados pelo time mineiro fora de Belo Horizonte, ele também foi liberado pela diretoria celeste para dar suporte a esposa Talita na reta final da gravidez. Theo será o primogênito do casal.
História de Montillo no Cruzeiro
Montillo teve os melhores números individuais da carreira pelo Cruzeiro. Apesar de não ter conseguido títulos expressivos pela Raposa, foi destaque individual do time em dois anos.
Comprado da Universidad do Chile, em 2010, o ex-camisa 10 se tornou ídolo da torcida. Montillo foi eleito o craque do Campeonato Brasileiro daquele ano. Ele participou de 23 jogos, marcou sete gols e deu sete assistências.
O ex-armador levou o Cruzeiro à vice-liderança do torneio nacional, ficando apenas dois pontos atrás do Fluminense, que foi campeão.
Em 2011, Montillo também foi importante para o Cruzeiro na conquista do título do Campeonato Mineiro. Nas demais competições, no entanto, o time celeste não teve tanta sorte.
O Cruzeiro foi eliminado pelo Once Caldas, da Colômbia, nas oitavas de final da Copa Libertadores. No Brasileirão, a equipe mineira brigou até a última rodada para escapar do rebaixamento.
Apesar do desempenho coletivo não ter sido bom, Montillo teve os melhores números da carreira. Em 51 apresentações com a camisa estrelada, anotou 21 gols e deu 10 passes decisivos para os companheiros.
Na última temporada de Montillo pela Raposa, o clube celeste também não teve sucesso esportivo: foi eliminado pelo América-MG na semifinal do Mineiro, eliminado pelo Athletico-PR nas oitavas de final da Copa do Brasil e terminou a Série A na 9ª posição.
Naquele ano, Montillo participou de 45 jogos, marcou oito gols e deu seis assistências.
No início de 2013, o ex-meia teve uma saída conturbada do Cruzeiro para o Santos. O então presidente celeste, Gilvan de Pinho Tavares aceitou uma oferta de 10 milhões de euros (R$ 16 milhões à época) pelo argentino, dos quais a Raposa ficou com 60%. O restante dos direitos econômicos pertencia a dois investidores.
A negociação, que envolveu a volta do ex-volante Henrique ao Cruzeiro, foi sacramentada no dia 3 de janeiro. Montillo deixou o clube sem ter a oportunidade de se despedir da torcida.

